O aumento dos casos de sarampo em São Paulo voltou a chamar a atenção para a importância da vacinação no Brasil. Até esta quinta-feira (27), a Secretaria de Estado da Saúde paulista havia confirmado 26 casos da doença em 2026, sendo 23 na capital, dois em São Bernardo do Campo e um em Guarulhos.
Os três casos mais recentes envolvem duas crianças com menos de um ano e uma mulher na faixa dos 30 anos. Nenhuma delas tinha histórico de vacinação. Entre os 26 pacientes confirmados, 19 não haviam sido vacinados ou estavam com o esquema vacinal incompleto. Dois casos foram classificados como importados e os demais estão relacionados à importação do vírus.
Rio teve primeiro caso após quatro anos
O cenário também preocupa o Rio de Janeiro, que registrou em abril o primeiro caso de sarampo de 2026, depois de quatro anos sem notificações. A paciente era uma mulher de 22 anos, que trabalhava em um hotel na Zona Sul da capital, e não tinha registro de vacinação. A origem da infecção não foi identificada.
Com o avanço da doença em outros estados, o Rio reforçou as ações de imunização. No início de agosto, a Prefeitura do Rio instalou pontos extraordinários de vacinação no Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão), no Santos Dumont e na Rodoviária do Rio. A ação terminou em 14 de agosto.
A vacina, no entanto, continua disponível na rede municipal. A Campanha Nacional de Multivacinação também está em andamento até 1º de setembro.

Médico alerta para risco da desinformação
Para o médico e presidente da RioSaúde, Roberto Rangel, o avanço do sarampo também recupera um debate que ganhou força durante a pandemia de Covid-19: os efeitos da desinformação e da hesitação vacinal.
“Durante a Covid, vimos de perto o quanto a desinformação e a dúvida em relação às vacinas podem custar caro. Atendemos pessoas gravemente doentes que tiveram a oportunidade de se vacinar e não se vacinaram. Não podemos esquecer essa experiência.”
Rangel, que também é médico de Família e Comunidade, destaca que o sarampo pode ser prevenido por meio de uma vacina disponível há décadas.
“O sarampo é uma doença que sabemos prevenir e temos uma vacina segura e disponível há décadas. Manter o esquema vacinal completo é uma proteção individual, mas também uma responsabilidade coletiva.”
A experiência mencionada pelo médico ocorreu principalmente durante sua passagem pela direção do Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, que se tornou referência no atendimento de pacientes com Covid-19 no Rio durante a pandemia.
Sarampo avança nas Américas
O alerta não se restringe ao Brasil. As Américas registram atualmente o maior número de casos confirmados de sarampo em 22 anos. Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), até 18 de julho de 2026 haviam sido contabilizados 47.459 casos e 44 mortes na região.
No cenário mundial, a Organização Mundial da Saúde (OMS) havia recebido, até julho, notificações de 186.168 casos confirmados, número 12% maior que o registrado no mesmo período do ano anterior.
Segundo a OPAS, as falhas na cobertura vacinal estão entre os fatores que favorecem a retomada da circulação do vírus. Para interromper a transmissão, a recomendação é alcançar pelo menos 95% de cobertura com duas doses da vacina contra o sarampo.

Segunda dose ainda está abaixo da meta no Rio
Os números da vacinação no Rio ajudam a explicar a preocupação. Quando o caso registrado em abril foi confirmado, a cobertura estadual da primeira dose da tríplice viral estava em 96,65%. Já a segunda dose alcançava 84,39%, abaixo da meta de 95% estabelecida pelo Ministério da Saúde.
Para Rangel, a redução da percepção de risco pode ocorrer justamente quando uma doença deixa de fazer parte do cotidiano da população.
“A vacina foi justamente o que fez muitas dessas doenças desaparecerem do nosso cotidiano. Quando deixamos de enxergá-las, é fácil perder a percepção do risco. Mas o vírus não desapareceu do mundo.”
O médico reforça a necessidade de verificar a situação vacinal.
“Se a cobertura cai, ele encontra novamente pessoas suscetíveis. Por isso, o momento é de olhar a carteira de vacinação e completar as doses que estiverem faltando.”
Brasil mantém certificação de eliminação do sarampo
Apesar dos novos registros, o Brasil continua considerado livre da transmissão endêmica do sarampo. A ocorrência de casos importados ou de cadeias pontuais de transmissão, isoladamente, não representa a perda dessa certificação.
O principal desafio é evitar que o vírus encontre grupos sem proteção e consiga estabelecer uma circulação sustentada no país.
A tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, é oferecida gratuitamente pelo SUS. No Rio de Janeiro, o imunizante está disponível nas salas de vacinação da rede municipal.
A orientação é conferir a caderneta de vacinação e procurar uma unidade de saúde caso haja alguma dose em atraso.




















