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Miliciano condenado a 112 anos ameaça delegado dentro de Tribunal do Júri em São Gonçalo

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O miliciano Ronan Azevedo Bento, conhecido como “Jogador” e condenado a 112 anos de prisão, teria ameaçado de morte o delegado Leonardo Affonso durante uma audiência no Tribunal do Júri do Fórum de São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio. O episódio aconteceu na terça-feira (25), diante da juíza, dos jurados, do Ministério Público e das equipes de defesa.

Segundo o registro feito pela Polícia Civil, Ronan se exaltou durante o depoimento e, em determinado momento, teria apontado para o delegado e dito: “vou te pegar!”, acompanhado de um gesto interpretado como ameaça de morte.

A juíza Juliana Bessa interrompeu a audiência e determinou que o acusado fosse retirado do plenário.

Delegado registra ocorrência

Após a audiência, Leonardo Affonso procurou a Polícia Civil e registrou uma ocorrência por coação no curso do processo. Em depoimento, o delegado afirmou temer pela própria segurança e pela vida.

Affonso participou de investigações contra milícias e outras organizações criminosas em Niterói e São Gonçalo, quando atuava na Delegacia de Homicídios.

O processo em que ocorreu a ameaça investiga a atuação de uma milícia em bairros como Porto Velho, Porto Novo, Gradim e Porto da Madama. Segundo as investigações, o grupo estaria envolvido em crimes como extorsão, ameaças e homicídios.

Ronan é apontado como braço armado de Anderson Cabral Pereira, conhecido como “Sássa”, que seria o líder da organização criminosa. Os dois foram condenados por crimes relacionados à atuação da milícia.

MP pede proteção para delegado

Diante da ameaça, o Ministério Público pediu que a Justiça adote medidas para proteger o delegado, incluindo escolta e outras ações de segurança.

A Promotoria também solicitou à Secretaria de Administração Penitenciária uma avaliação sobre a situação dos acusados. Entre as medidas consideradas estão a transferência para uma unidade prisional de maior segurança, inclusive um presídio federal, além do monitoramento de possíveis contatos usados para novas ameaças ou represálias.

Para o Ministério Público, o fato de a ameaça ter ocorrido dentro do Tribunal do Júri e durante uma audiência judicial aumenta a gravidade do caso e pode representar uma tentativa de intimidar uma testemunha de acusação.

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