O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a soberania brasileira e criticou a interferência externa em assuntos internos durante o discurso de abertura da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, na terça-feira (22), em Nova York. Em uma fala marcada por críticas ao cenário geopolítico e à atuação das grandes potências, Lula afirmou que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”.
A declaração ocorreu durante um trecho em que o presidente tratava de tentativas de ingerência política e eleitoral na América Latina e da disputa por recursos estratégicos. Lula também afirmou que as riquezas naturais brasileiras, incluindo minerais críticos e terras raras, devem beneficiar a população e a indústria nacional.
Lula defendeu ainda o multilateralismo e criticou o funcionamento do Conselho de Segurança da ONU. Segundo o presidente, a organização atravessa uma crise diante da incapacidade da comunidade internacional de impedir guerras. Ele também voltou a condenar as ações de Israel em Gaza, classificadas por ele como genocídio, e condenou os ataques terroristas do Hamas.
Na área ambiental, o presidente destacou a redução do desmatamento na Amazônia e defendeu a possibilidade de conciliar preservação ambiental e desenvolvimento econômico.
O discurso também abordou o combate ao crime organizado, a regulamentação das plataformas digitais e da inteligência artificial, as apostas online e o Pix. Lula defendeu o sistema brasileiro de pagamentos e afirmou que o país não deve ceder a pressões externas para alterar sua estrutura. Também mencionou a discussão sobre o fim da escala 6×1.
Na parte dedicada à democracia, Lula afirmou que o Brasil terá eleições transparentes e competitivas e criticou tentativas de interferência externa em processos eleitorais.
Escudo das Américas anuncia medidas contra PCC e Comando Vermelho
Enquanto Lula fazia seu discurso em Nova York, os países integrantes do chamado Escudo das Américas anunciaram uma ação conjunta contra 24 organizações classificadas pelo grupo como organizações narcoterroristas transnacionais.
A declaração foi assinada pelos Estados Unidos e outros 14 países: Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana e Trinidad e Tobago.
A lista inclui o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), além de organizações criminosas de outros países. O acordo prevê, de acordo com as legislações nacionais, medidas como congelamento de ativos, restrições de imigração e vistos e responsabilização criminal de pessoas que forneçam apoio material aos grupos.

A iniciativa foi apresentada como a primeira ação conjunta do Escudo das Américas nos pilares de segurança, economia e coordenação multilateral. O governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump, pediu aos integrantes do grupo que adotassem medidas coordenadas contra as organizações.
















