A Prefeitura de Maricá reuniu, nesta segunda-feira (28), 40 profissionais cooperativados que vão atuar nos projetos da Empresa de Desenvolvimento Aeronáutico (Desaer) no município. O grupo é formado por engenheiros e arquitetos, incluindo alunos e ex-alunos do Passaporte Universitário, programa municipal que oferece bolsas integrais no ensino superior.
O encontro contou com a participação do prefeito Washington Quaquá, do CEO da Desaer, Evandro Fileno, além de representantes do Instituto de Ciência, Tecnologia e Inovação de Maricá (ICTIM) e das cooperativas envolvidas no projeto.
Segundo Quaquá, a contratação representa o início de uma estratégia para transformar Maricá em um polo do setor aeronáutico, com geração de empregos qualificados e desenvolvimento tecnológico.
“Este grupo de profissionais é apenas o começo. Com a Desaer, queremos que Maricá siga o exemplo de São José dos Campos com a Embraer e se torne um polo aeronáutico, com tecnologia, trabalho qualificado e novas oportunidades para a população”, afirmou.
A parceria integra o projeto de diversificação da economia municipal e prevê ações como formação de pilotos e mecânicos, ampliação da infraestrutura do Aeroporto de Maricá e estudos para novas conexões aéreas.
O presidente do ICTIM, Cláudio Gimenez, destacou que a iniciativa pode formar uma nova cadeia produtiva ligada à aviação, reunindo empresas, profissionais, conhecimento e serviços.
“A Desaer ajuda a criar uma nova cadeia produtiva para o município e para o país. Maricá passa a participar de um projeto internacional, com aeronaves desenvolvidas aqui para o mundo. Ao mesmo tempo, formamos profissionais, produzimos conhecimento e ampliamos as oportunidades para a população”, afirmou.
Cooperativismo e empregos
Os profissionais contratados vão atuar por meio de cooperativas. O modelo envolve quatro entidades, sendo três da área de engenharia e uma de tecnologia.
Para o coordenador do Movimento das Cooperativas de Maricá e presidente da Coopcamar, José Carlos Azevedo, a contratação abre espaço para profissionais formados no próprio município.
“É uma felicidade ver 40 profissionais sendo contratados para ajudar a construir aviões em Maricá. Muitos são alunos e ex-alunos do Passaporte Universitário que antes não tinham perspectiva de trabalhar na cidade e agora têm essa oportunidade. É a economia das pessoas e das famílias se tornando realidade”, afirmou.
A proposta também prevê a participação de cooperativados que ainda estão cursando o ensino superior. Segundo Victor Bernardo, vice-presidente da ala de engenharia do Movimento Cooperativo de Maricá, a experiência poderá aproximar estudantes do mercado aeronáutico.
“Essa proposta vai permitir que pessoas da nossa cooperativa, inclusive quem ainda está em formação, tenham o primeiro contato com uma empresa do setor aeronáutico e ganhem experiência no desenvolvimento de aviões. Maricá oferece ensino superior gratuito e, ao mesmo tempo, cria oportunidades de trabalho durante a faculdade”, afirmou.
O engenheiro civil Otávio Augusto, formado pelo Passaporte Universitário, também destacou a possibilidade de trabalhar na própria cidade.
“Maricá oferece qualificação profissional e também cria oportunidades de trabalho. Muitos moradores precisam sair da cidade e enfrentar o trânsito até o Rio. Agora podemos trabalhar em nossa área e participar do crescimento tecnológico do município. Para muitos isso parecia um sonho; para nós, está virando realidade”, declarou.

Desaer pretende instalar matriz em Maricá
O CEO da Desaer, Evandro Fileno, afirmou que a intenção da empresa é instalar a matriz em Maricá, que seria utilizada como centro de desenvolvimento dos projetos e de transferência de tecnologia para futuras unidades internacionais.
“A ideia é que a matriz da Desaer fique em Maricá. A cidade será o ponto de partida para o desenvolvimento e para a transferência de tecnologia às unidades que forem instaladas em outros continentes”, explicou.
Segundo Fileno, a empresa negocia com quatro países africanos e mantém conversas na Europa e na Ásia. A proposta é que engenheiros estrangeiros possam viajar a Maricá para conhecer os projetos e receber treinamento.
“Esses países poderão enviar engenheiros para Maricá. Eles virão aprender sobre a tecnologia e levar esse conhecimento para as futuras unidades da empresa. Todo esse processo partirá da cidade”, acrescentou.

















