Os governos dos Estados Unidos e da Austrália suspenderam, nesta sexta-feira (2), o atendimento presencial em suas representações diplomáticas no Brasil após a identificação de ameaças de possíveis ataques terroristas divulgadas na internet. A medida ocorreu às vésperas do primeiro turno das eleições brasileiras, marcado para este domingo (4).
Segundo informações divulgadas pelas autoridades norte-americanas, serviços de inteligência identificaram ameaças indicando possíveis ataques contra prédios diplomáticos dos Estados Unidos e de países aliados de língua inglesa durante o fim de semana eleitoral. As informações foram compartilhadas com a Polícia Federal (PF) e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin).
Os Estados Unidos suspenderam o atendimento na embaixada, em Brasília, e nos consulados de São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Recife e Belo Horizonte. A suspensão afeta serviços consulares, incluindo entrevistas e procedimentos relacionados à emissão de vistos.
O Departamento de Estado orientou cidadãos norte-americanos no Brasil a não comparecerem às instalações diplomáticas durante o período de suspensão. Em situações de emergência, a recomendação é utilizar os canais de contato disponibilizados pelas representações diplomáticas.
Até o momento, não foi divulgada uma data para a retomada do atendimento presencial.
Austrália também fecha embaixada
A Austrália também suspendeu as atividades presenciais de sua embaixada em Brasília. O governo australiano citou preocupações relacionadas à segurança e ao terrorismo.
Estados Unidos e Austrália fazem parte do grupo Five Eyes, aliança de compartilhamento de informações de inteligência que também reúne Reino Unido, Canadá e Nova Zelândia.
Canadá e Irlanda, por sua vez, emitiram alertas de segurança para seus cidadãos no Brasil e recomendaram atenção redobrada, mas não anunciaram o fechamento de suas representações diplomáticas.
Medida foi determinada pelo governo dos EUA
A suspensão das atividades norte-americanas foi determinada pelo governo dos Estados Unidos, sob a gestão do presidente Donald Trump. O secretário de Estado, Marco Rubio, é responsável pela estrutura diplomática e consular norte-americana.
A justificativa apresentada pelo governo dos EUA é de segurança, diante das informações sobre ameaças identificadas na internet. Não há, até o momento, confirmação pública de que um ataque tenha sido planejado ou de que exista uma ameaça concreta em andamento contra as instalações.
Repercussão política no Brasil
A decisão provocou reações no cenário político brasileiro, especialmente por ocorrer a dois dias do primeiro turno das eleições.
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e pediu que a suspensão dos serviços diplomáticos seja considerada em uma investigação sobre possíveis interferências externas no processo eleitoral. A campanha questiona o momento da decisão e sustenta que a medida pode contribuir para uma narrativa de instabilidade no país.
O governo norte-americano, porém, sustenta que a suspensão está relacionada a questões de segurança e às informações de inteligência recebidas sobre possíveis ameaças.
A avaliação sobre eventual interferência eleitoral e seus efeitos ainda depende da apuração das autoridades brasileiras e da análise dos fatos relacionados às ameaças.
Centrais sindicais criticam decisão
As principais centrais sindicais brasileiras divulgaram uma nota conjunta nesta sexta-feira criticando a suspensão dos serviços consulares dos Estados Unidos.
No documento, CUT, Força Sindical, UGT, CTB, NCST, CSB, Intersindical e Pública Central do Servidor afirmam que a medida é “desnecessária” e “excessiva” e que poderia contribuir para um ambiente de medo e insegurança às vésperas da votação.
As entidades também defenderam a soberania nacional e o processo eleitoral brasileiro e afirmaram que não deve haver “tutela, intimidação ou ingerência estrangeira” sobre as instituições e as eleições do país.
A nota é assinada pelos presidentes e dirigentes das oito centrais sindicais e foi divulgada em São Paulo, com data de 2 de outubro de 2026.
PF faz buscas após alerta sobre possível ameaça a instalações dos EUA
A Polícia Federal informou que cumpriu, na tarde desta sexta-feira (2), dois mandados de busca e apreensão em São Paulo (SP) e no entorno do Distrito Federal para investigar um suposto planejamento de atos que poderiam colocar em risco instalações diplomáticas dos Estados Unidos no Brasil.
Segundo a PF, a ação teve caráter preventivo e faz parte de uma investigação sigilosa, conduzida em cooperação com agências de inteligência estrangeiras.
A corporação informou que, até o momento, não foram encontrados elementos que confirmem os riscos inicialmente apontados nem identificados suspeitos com envolvimento em organizações criminosas.
As investigações continuam com a análise dos equipamentos de comunicação e das mídias apreendidas. A PF informou que outras medidas poderão ser adotadas conforme o avanço da apuração.
















