Deputado estadual Márcio Canella e ex-secretário de Polícia Civil Marcus Amim estão entre os presos; esquema investigado teria movimentado R$ 7,6 bilhões em seis anos
A Polícia Federal prendeu os seis investigados alvos de mandados de prisão preventiva na oitava fase da Operação Unha e Carne, deflagrada na manhã desta quinta-feira (15), no estado do Rio de Janeiro. Entre os presos estão o deputado estadual Márcio Canella (União Brasil), ex-prefeito de Belford Roxo, e o delegado Marcus Vinicius Amim Fernandes, ex-secretário estadual de Polícia Civil.
A operação tem como objetivo desarticular uma organização criminosa armada suspeita de utilizar uma rede de postos de combustíveis para lavar dinheiro de origem ilícita, com possível participação de agentes públicos e articulação político-institucional.
Ao todo, os policiais federais cumprem 16 mandados de busca e apreensão nos municípios do Rio de Janeiro, Niterói, São Gonçalo, Nova Iguaçu, Petrópolis, Angra dos Reis e Armação dos Búzios. A Corregedoria da Polícia Civil acompanha o cumprimento dos mandados contra os policiais civis investigados.
O ex-secretário estadual de Polícia Civil Marcus Amim foi preso em sua residência, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio. Já o deputado estadual Márcio Canella foi detido em sua casa, localizada em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, na Zona Oeste da capital fluminense.


Deputado foi o segundo mais votado do RJ, com quase 200 mil votos nas eleições de 2026
O deputado estadual Márcio Canella (União Brasil), e ex-prefeito de Belford Roxo, preso nesta quinta-feira (15) na 8ª fase da Operação Unha e Carne, foi o segundo candidato mais votado para a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) nas eleições de 2026, com 197.178 votos.
Esquema movimentou R$ 7,6 bilhões
De acordo com a Polícia Federal, o grupo investigado movimentou mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos, segundo Relatório de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
Por determinação judicial, também foram estabelecidos o sequestro de bens e valores e a suspensão das atividades econômicas de 112 empresas supostamente ligadas ao esquema. Desse total, 96 são postos de combustíveis que, segundo as investigações, seriam utilizados para camuflar e dar aparência legal a recursos de origem criminosa.
Os investigados poderão responder, conforme a participação de cada um, por organização criminosa armada, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, venda ilegal de combustíveis e formação de cartel, entre outros crimes que possam ser identificados durante as investigações.
Operação integra força-tarefa
A oitava fase da Unha e Carne integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, iniciativa coordenada pela Polícia Federal para desarticular organizações criminosas que atuam no estado do Rio de Janeiro.
A ação está relacionada às diretrizes estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito da ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas. A operação também foi tema de reunião realizada em 6 de outubro entre a direção-geral da Polícia Federal e o ministro Alexandre de Moraes, no STF.
As investigações prosseguem para apurar a extensão do esquema e a eventual participação de outros envolvidos.
- Em atualização

















