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Leia a nossa última edição #95

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A equipe não segue apenas o que a liderança diz. Segue o que ela tolera

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Por Priscilla Cruz

Uma equipe aprende observando. Aprende com o que a liderança fala, mas, principalmente, com o que acontece todos os dias.

Se o líder cobra pontualidade, mas chega atrasado às reuniões, a equipe percebe. Se fala em respeito, mas deixa alguém ser interrompido ou tratado com grosseria, a equipe percebe também. E, quando uma ideia diferente é recebida com um “isso nunca vai dar certo”, não deveria surpreender que as pessoas parem de sugerir.

A liderança pode dizer que valoriza iniciativa. Mas, se ninguém se sente seguro para dar uma opinião, esse valor não chega à rotina. Pode falar em colaboração. Mas, se só reconhece quem aparece individualmente, a equipe entende outra mensagem.

A cultura de uma empresa não está apenas no que se escreve na parede. Está no jeito de dar um retorno, na forma de lidar com um erro e no que acontece quando alguém ultrapassa um limite.

Na minha atuação como mentora e treinadora comportamental, vejo como essas questões aparecem nas conversas com líderes e equipes. Quando alguém quer mais iniciativa, vale perguntar: existe espaço para discordar e sugerir? Quando se cobra comprometimento, quem sustenta a rotina também é reconhecido? E a comunicação respeitosa continua sendo praticada nos momentos de pressão?

São perguntas simples, mas elas tiram os valores do discurso e levam para o comportamento. É ali que o trabalho de liderança começa a ficar concreto.

Tolerar não é sempre concordar. Às vezes, é deixar para lá porque corrigir dá trabalho. É rir de uma fala desrespeitosa para evitar desconforto. É ver alguém sobrecarregado e pensar que a pessoa vai dar conta, como sempre deu. Só que o silêncio de quem lidera também ensina.

Isso não significa que todo erro deva virar bronca. Pessoas precisam de espaço para aprender e tentar de novo. Uma coisa é errar enquanto se aprende. Outra é repetir atitudes que ferem os outros ou prejudicam o trabalho sem que ninguém converse sobre isso. Corrigir não é humilhar. Ignorar também é uma escolha.

Quando um comportamento inadequado se repete sem resposta, deixa de parecer exceção. Aos poucos, vira parte da rotina. E o que vira rotina começa a parecer normal, mesmo quando desgasta a confiança e afasta as pessoas.

Não adianta pedir colaboração e premiar quem só pensa no próprio resultado. Não adianta falar em escuta e tratar perguntas como afronta. A incoerência custa caro: primeiro diminui a confiança; depois, diminui a vontade de contribuir.

A equipe percebe quando existe distância entre o que se cobra e o que se pratica. Percebe também quando a liderança reconhece um erro, dá um retorno claro e age com o mesmo critério para todos. Isso não cria uma equipe perfeita. Cria um ambiente em que as pessoas conseguem conversar, ajustar a rota e fazer um trabalho melhor.

Liderar não é apenas dizer qual caminho a equipe deve seguir. É observar o que as próprias atitudes estão ensinando.

O que as suas atitudes estão ensinando sua equipe a considerar normal?

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