A 11ª Festa Literária Internacional de Maricá (FLIM) teve um sábado (31/10) marcado pela diversidade de atrações, com literatura, samba, carnaval, cultura geek, rap e música. O ponto alto da noite foi o encontro de Criolo, Amaro Freitas e Dino d’Santiago, que subiram juntos ao Palco Principal, às 21h, na Orla do Parque Nanci. O show gratuito encerrou o segundo dia do festival, realizado pela Prefeitura de Maricá.
A apresentação integrou a programação do “Língua ao Mar — A arte que fala português”, promovida pela Companhia de Cultura e Turismo Maricá (MARÉ). Durante o espetáculo, Criolo destacou a importância do investimento em educação e cultura e da realização de iniciativas que aproximam a população da leitura e da produção de conhecimento.
“Quando tem esse fomento à educação, à cultura, esse convite à cidade para ler, se informar, conhecer histórias e escrever a sua história a partir disso, para nós é sempre um sabor diferente. Muito nos honra estar aqui com vocês neste momento”, afirmou o artista.
Antes do show, o espaço Papo FLIM/Língua ao Mar recebeu duas atrações ligadas à tradição carnavalesca: a União de Maricá, às 18h, e o Cordão do Bola Preta, às 19h. As apresentações ampliaram o diálogo entre música, samba, carnaval e literatura, uma das marcas da programação de sábado.
Para Kássia Costa, moradora do Parque Nanci, a possibilidade de acompanhar atrações nacionais perto de casa foi um dos destaques da festa.
“Poder assistir a um show desses pertinho de casa é bom demais. A gente consegue vir com a família e aproveitar a noite sem precisar sair da cidade. E ainda tem toda a programação da festa para conhecer”, comentou.

Literatura, história e carnaval
Durante o dia, o espaço Papo FLIM/Língua ao Mar também promoveu encontros sobre histórias do Brasil, literatura e cultura popular. O jornalista Aydano André Motta e o carnavalesco Edson Pereira estiveram entre os convidados, em atividades que reuniram pesquisadores, escritores e profissionais ligados ao carnaval.
Aydano André Motta e Eliseu Banori participaram da conversa “Heróis e histórias improváveis no Brasil e além-mar”, mediada por Marcus Vinicius. O encontro abordou narrativas históricas e a relação entre Brasil e países africanos. Durante o debate, Aydano chamou atenção para a pouca presença das diferentes realidades do continente africano na cobertura da grande imprensa.
“A gente ignora como funcionam os povos da África. Isso cria uma ideia totalmente equivocada de que é tudo a mesma coisa”, afirmou o jornalista.
Na sequência, o carnavalesco Edson Pereira e o enredista Mauro Cordeiro participaram da mesa “Darcy Ribeiro e o carnaval da União de Maricá”, com mediação de Emerson Pereira. Sob o eixo “Samba, carnaval e literatura”, a conversa discutiu a presença do antropólogo na narrativa carnavalesca da escola e a importância da pesquisa na construção do desfile.
“O carnaval tem uma responsabilidade muito grande com o conhecimento. A pesquisa fundamenta e baliza para que possamos entender melhor e nos aprofundar mais sobre Darcy”, explicou Edson.
Presidente da Companhia de Cultura e Turismo Maricá (MARÉ), Antônio Grassi destacou a participação do público e o encontro entre diferentes manifestações artísticas.
“Tivemos a oportunidade de celebrar a diversidade da nossa cultura, aproximar diferentes expressões artísticas e valorizar histórias que fazem parte da nossa identidade. É muito bom ver o público participando e vivenciando essa troca entre literatura, música e cultura popular. Tudo isso faz parte do que queremos construir com o festival”, afirmou.
A curadora do Língua ao Mar, Eliana Alves Cruz, também ressaltou a proposta de ampliar o contato do público com escritores de diferentes países de língua portuguesa e fortalecer o intercâmbio cultural.
“Vai ser um prazer apresentar a vocês escritores e escritoras novos para nós, mas consagrados em outros lugares, em outras nações. Vamos criar esses laços, pontes com outras nações que têm muito a aprender e também a nos ensinar”, disse.
Rap, poesia e juventude
A relação entre música e literatura também esteve presente na Arena do Estudante, com a roda de conversa “Da rima à revolução: o rap como literatura e voz da juventude”. Participaram Fábio Brazza, Adonis, do RUASIA, e André Rangel, da Casa da Juventude. A mediação foi de Vitor Nunes, da União Maricaense dos Estudantes (UMES).
O encontro discutiu o rap como forma de expressão artística, produção literária e instrumento de participação dos jovens. O secretário de Educação, professor Rodrigo Moura, destacou a importância de aproximar os estudantes da leitura e reconhecer suas próprias manifestações culturais.
“Queremos que os jovens participem da FLIM como leitores e também como autores das próprias histórias. O encontro com o rap, a poesia e outras formas de expressão é um caminho para despertar o interesse pela leitura e valorizar o que eles já produzem”, afirmou.
No mesmo horário, o espaço Papo FLIM/Língua ao Mar recebeu um espetáculo poético promovido pela Secretaria de Cultura.
Games, influenciadores e atrações infantis
A cultura digital também ocupou espaço na programação de sábado. A Arena do Estudante recebeu os debates “Ecossistema dos Esportes Eletrônicos” e “Novas Profissões nos Esportes Eletrônicos”, abordando o crescimento do setor e as oportunidades profissionais ligadas aos jogos eletrônicos.
No Palco Principal, o público acompanhou um bate-papo com influenciadores, além das participações da Procrastinando TV e do dublador Raphael Rossato. As atividades integraram a programação do Maricá Games, que aproximou o público jovem do universo dos games e da produção de conteúdo digital.
Para as crianças e famílias, a FLIMzinha ofereceu teatro infantil pela manhã, pintura facial ao longo do dia e a apresentação das Guerreiras do K-pop, às 14h30. A Arena do Estudante também recebeu David Malabares, às 9h; Yo Soy Américo, às 10h; e Capoeira na Comunidade, às 17h.
Domingo terá Boca Livre e Edu Lobo
A programação musical continua neste domingo (1º/11), com o espetáculo “Boca Livre convida Edu Lobo”, às 21h, no Palco Principal, na Orla do Parque Nanci. A apresentação gratuita é um dos destaques do terceiro dia do festival.
Ao longo do dia, o público também poderá visitar a Feira do Livro, conhecer a produção de escritores locais e participar de encontros literários, atividades infantis e atrações do Maricá Games.
A 11ª FLIM segue até 8 de novembro, com entrada gratuita e homenagem à filósofa, escritora e professora Marilena Chauí. O evento é realizado pela Prefeitura de Maricá, por meio da Secretaria de Educação e da Companhia de Cultura e Turismo Maricá (MARÉ).



















