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Leia a nossa última edição #95

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Envelhecimento de pets: qualidade de vida, cuidados paliativos e o processo ético da eutanásia

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Assim como acontece com as pessoas, os pets também envelhecem e precisam de cuidados diferentes ao longo da vida. Perceber os primeiros sinais da idade e mudar alguns hábitos pode fazer toda a diferença para garantir mais saúde, conforto e qualidade de vida aos animais.

Quem explica essas mudanças é Flávio Gimenis Fernandes, que destaca a importância de os tutores ficarem atentos aos sinais do envelhecimento e adaptarem a rotina dos animais para essa nova fase.

Sinais de alerta: Quais são os principais sinais clínicos e comportamentais de que um pet idoso está sentindo dor ou perdeu qualidade de vida?

Para responder a esta pergunta, primeiro devemos levar em consideração quando um pet como um cão se torna idoso. Não há um consenso que estipule essa barreira, mas sabemos que a partir de oito anos de idade, no caso dos cães, começam a manifestar comorbidades que indicam a chegada da idade avançada. Costumamos conviver com nossos pets e às vezes temos uma falsa impressão de que eles envelhecem junto conosco. Animais idosos apresentam uma série de sinais de que estão envelhecendo e não necessariamente estão doentes. Dessa forma é comum o tutor levar seu pet ao veterinário, achando que existe algum problema, pois não está tão ativo quanto antes. Em boa parte dos casos os exames têm resultado esperado para aquela idade e não é uma doença propriamente dita. Alterações de locomoção são muito comuns nessa idade e alterações em articulações são cada vez mais frequentes. Cães idosos apresentam doenças relacionadas à idade e cabe o tutor perceber isso. Cães que apresentam dor normalmente mancam ou não se locomovem por conta da dor. Para esses casos devemos realizar uma série de exames para diagnosticar, tratar ou apenas amenizar a dor, já que determinadas situações são irreversíveis por conta da idade avançada. Com o avanço da idade a qualidade de vida é de suma importância, pois o tutor deve ter consciência que seu pet não é mais um filhote, dessa forma, uma série de medidas são tomadas para facilitar a vida do pet idoso. Não existe uma fórmula mágica para todos os pets idosos, sendo implementada medidas individuais para cada necessidade.

Como o veterinário avalia a qualidade de vida do animal e identifica quando o sofrimento passou a predominar sobre os momentos de desconforto?

O mercado pet já comercializa uma série de rações para cães idosos, o que facilita muito, pois nesses alimentos há concentrações balanceadas de proteínas, sais minerais e vitaminas para a idade avançada o que contribui muito para a qualidade de vida do animal. Ainda em relação à qualidade de vida do pet, temos clínicas, policlínicas e hospitais veterinários com especialistas de controle da dor, já que nessa fase da vida, há uma grande incidência de comprometimento articular. Logicamente todo processo passa por uma análise minuciosa, pois a tendência é a piora com o avançar da idade, mesmo sendo assistido por profissional especialista. O pet é o nosso maior indicador de desconforto, embora não possa falar, eles normalmente se prostram, param de se alimentar e entram numa piora evolutiva se nada for feito.

Alternativas: Antes da eutanásia, quais tratamentos e cuidados paliativos podem ser utilizados para controlar a dor e proporcionar conforto ao pet?

A medicina veterinária evoluiu muito nos últimos dez anos, haja vista o surgimento de diversas mega stores. Temos à disposição uma ampla gama de medicamentos e profissionais especializados no controle da dor. O que era opção de eutanásia, hoje se reflete em pets vivendo mais e com qualidade de vida.

O momento da decisão: Como o veterinário deve orientar a família diante do apego emocional, ajudando a identificar o momento adequado para evitar tanto o sofrimento prolongado quanto uma decisão antecipada?

A eutanásia sempre é a última escolha. Cada animal tem sua comorbidades em relação a idade avançada. Existem animais que partem sem intervenção profissional, outros levam a vida adiante lidando com dor e diversas manifestações que complicam as funções básicas de sobrevivência. Nesse momento a eutanásia é explicada, ficando a decisão por conta do tutor.

Eutanásia: Como funciona o procedimento e o que o tutor precisa saber para entender que o animal não sentirá dor ou aflição durante o processo?

Optando pela eutanásia, o profissional fará da maneira mais humanitária possível. Antes do ato em si existe um momento que o profissional reserva para que o tutor se despeça do seu pet. O tutor, se desejar, pode ficar ao lado do seu pet durante o ato em si, mas isso tem que ser acordado entre profissional e tutor. No ato em si, não há sofrimento, o cão simplesmente adormece e descansa.

Famílias de baixa renda: Quais alternativas existem para famílias que não têm condições financeiras de arcar com tratamentos, medicamentos e cuidados paliativos de um pet idoso, e como elas podem buscar atendimento veterinário e orientação caso o animal chegue a uma situação em que a eutanásia seja indicada?

Um pet é sempre um apelo emocional, mexe com nosso sentimento e aí vem a adoção. Os tutores têm que ter consciência de que um pet requer gasto, seja um saco de ração ou tratamento de alguma doença. Hoje em dia já existem planos de saúde veterinário que são em conta se levar em consideração gastos com exames e tratamentos. Existem hospitais públicos veterinários que o tutor poderá levar seu pet sem custos para consultas e procedimentos como cirurgias. Para saber qual hospital veterinário público está perto de você acesse: https://protecaoanimal.prefeitura.rio/

Clínica Veterinária Municipal de Bonsucesso – Saquarema – Inaugurada em 2024 / Foto: PMS

Serviço – Algumas unidades públicas

Rio de Janeiro


Hospital Municipal Veterinário Jorge Vaitsman (HJV) — na Mangueira, com atendimento de emergência e internação.
Hospital Municipal Veterinário São Francisco de Assis — em Irajá, com atendimento diário das 8h às 20h.
Centro de Controle de Zoonoses Paulo Dacorso Filho (CCZ) — em Santa Cruz, com suporte clínico e cirúrgico.


Baixada e Interior


Hospital Municipal Veterinário de Duque de Caxias — atendimento de emergência 24 horas.

Resende


Hospital Veterinário Municipal de Resende — unidade pública com atendimento 24 horas.


Hospital Veterinário da UFRRJ — em Seropédica, com atendimento clínico e cirúrgico de animais de pequeno e grande porte.

São Gonçalo


CAVEM – Centro de Atendimento Veterinário Municipal de São Gonçalo — atendimento gratuito por ordem de chegada, com consultas de baixa complexidade, vacinação antirrábica e castrações agendadas.


Saquarema

Clínica Veterinária Municipal de Bonsucesso

Consultas, emergência, urgência e castração de cães e gatos machos de pequeno porte.
Endereço: Rodovia Amaral Peixoto, km 73, Bonsucesso.

Clínica Veterinária Municipal de Sampaio Corrêa

Consultas, emergência, urgência e castração de cães e gatos machos de pequeno porte.
Endereço: Rodovia Amaral Peixoto, km 52, Sampaio Corrêa.
Telefone: (22) 99767-8291.
Horário: segunda a sexta-feira, das 8h às 16h.

Consultório Veterinário Municipal (Jaconé)

Endereço: Rua 7, nº 77 – Jaconé (na sede da Secretaria dos Direitos dos Animais).

Funcionamento: Segunda a sexta-feira, das 8h às 16h.

Importante: antes de procurar uma unidade, é recomendado confirmar os serviços disponíveis, horários e critérios de atendimento de cada local.

Artigo de: Flávio Gimenis Fernandes
Médico Veterinário
Mestre em Doenças Parasitárias (UFRJ)
Doutor em Microbiologia/Imunologia (UFRJ)
Pós-doutor em Imunologia Molecular (UFRJ)

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