O primeiro semestre de 2026 tem sido marcado por uma série de casos de violência contra a mulher em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Feminicídios consumados, tentativas de assassinato e agressões motivadas por relacionamentos abusivos ou conflitos familiares acenderam o alerta de autoridades, movimentos sociais e entidades de defesa dos direitos das mulheres.
Os episódios registrados nos últimos meses revelam a gravidade da violência de gênero no município e reforçam a necessidade de ampliação das políticas públicas de prevenção, acolhimento e proteção às vítimas.
Feminicídios chocam a cidade
Um dos casos que mais repercutiram recentemente, ocorrido no dia 3 de junho, quando Fernanda Lima Martins Freitas Guedes, de 47 anos, foi assassinada dentro de um apartamento no bairro Mutondo.
De acordo com a Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSG), o ex-companheiro da vítima foi preso em flagrante pelo crime de feminicídio. Segundo informações divulgadas durante as investigações, o homem teria demonstrado extrema crueldade ao enviar uma fotografia da vítima já morta para intimidar sua ex-esposa.
O caso provocou forte comoção e mobilizou organizações de defesa dos direitos das mulheres, entre elas o Fórum Popular de Mulheres de São Gonçalo, que convocou manifestações em repúdio ao crime e em defesa de políticas de proteção às vítimas de violência doméstica.
Outro caso de grande repercussão envolveu Monique Ribeiro Veiga, de 46 anos, atacada a facadas dentro de sua residência, no bairro Maria Paula, no fim de maio.
Segundo a Polícia Militar, agentes do 7º BPM foram acionados para uma ocorrência na Rua Expedicionário João Lopes Filho e encontraram a vítima gravemente ferida após ser atacada dentro de casa.
Testemunhas relataram que um homem que presenciou a agressão tentou socorrer Monique e entrou em luta corporal com o agressor. Após o confronto, o suspeito tentou fugir, mas morreu em decorrência dos ferimentos.
Em nota, a Polícia Civil informou que a Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí foi acionada e investiga a morte de Francisco Assis da Silva Júnior. Na ocorrência, uma mulher também ficou ferida. As circunstâncias do caso seguem sendo apuradas.
Tentativas de feminicídio e violência extrema
Além dos crimes consumados, São Gonçalo registrou diversas tentativas de feminicídio ao longo do ano.
Em fevereiro, a jovem Alana Anísio Rosa, de 20 anos, sobreviveu após ser atacada com cerca de 30 facadas no bairro Galo Branco. Segundo as investigações, o crime ocorreu após a vítima rejeitar um relacionamento amoroso com o agressor.
Alana permaneceu internada em estado grave por várias semanas, mas conseguiu sobreviver. O acusado foi preso e responde pelo crime.
Outro episódio ocorreu em maio, no bairro Jardim Alcântara. A empresária Bruna Dias, de 40 anos, foi esfaqueada no pescoço pelo marido e sócio após uma discussão. Ela foi socorrida e encaminhada ao Hospital Estadual Alberto Torres, onde recebeu atendimento médico e sobreviveu aos ferimentos.
Também em maio, a Polícia Civil prendeu um homem e sua filha, de 19 anos, suspeitos de tentarem matar a mãe da jovem utilizando veneno conhecido como “chumbinho”. Segundo as investigações, os dois teriam misturado o produto em alimentos e medicamentos em duas ocasiões distintas. A motivação seria o interesse em receber um seguro de vida da vítima, que sobreviveu às tentativas.
Mobilização e cobrança por medidas de proteção
A sequência de casos de violência contra a mulher tem mobilizado entidades e movimentos sociais em São Gonçalo. O Fórum Popular de Mulheres convocou um ato por justiça para a próxima terça-feira (9), às 18h, em frente à Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSG), após o assassinato de Fernanda Lima Martins Freitas Guedes. As organizações cobram o fortalecimento da rede de proteção às vítimas, maior rigor na punição dos agressores e ações permanentes de combate à violência de gênero no município.

Onde buscar ajuda em São Gonçalo
Mulheres vítimas de violência doméstica ou familiar podem contar com serviços especializados de acolhimento, orientação e apoio psicológico e jurídico no município.
Movimento de Mulheres em São Gonçalo (MMSG) – Localizado no bairro Zé Garoto, oferece atendimento psicossocial e orientação jurídica gratuita para mulheres em situação de violência.
CEOM Zuzu Angel – O Centro Especial de Orientação à Mulher da Prefeitura de São Gonçalo presta acolhimento, acompanhamento e encaminhamento para a rede de proteção às vítimas.
Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 – Serviço nacional gratuito que funciona 24 horas por dia para denúncias, orientações e encaminhamento de casos de violência contra a mulher. O atendimento é sigiloso e pode ser realizado de forma anônima.
Em situações de emergência, a orientação é acionar imediatamente a Polícia Militar pelo telefone 190.




















