A Prefeitura de Niterói iniciou a instalação das mangueiras que vão transportar água do mar para a Lagoa de Piratininga, na Região Oceânica. O sistema provisório de bombeamento tem previsão de entrar em funcionamento até o fim de novembro e permitirá manter a renovação da água durante as obras de recuperação do Túnel do Tibau, que terá a comporta fechada para a execução dos serviços.
A intervenção no túnel começou no último dia 21, com investimento de R$ 38 milhões e prazo estimado de 12 meses. Após a recuperação, a estrutura deverá permitir que o volume de água do mar que chega à lagoa mais do que triplique, ultrapassando mil litros por segundo.
As mangueiras conduzirão a água captada no mar diretamente para a lagoa, por meio de uma bomba hidráulica e tubulações submersas. Antes dessa etapa, as equipes já haviam instalado a bomba e parte dos dutos necessários ao funcionamento do sistema.
O subsecretário municipal de Infraestrutura e Fiscalização, Vicente Temperini, explicou que o bombeamento provisório permitirá fechar a comporta e trabalhar no interior do túnel sem interromper a entrada de água do mar na lagoa.
“Estamos avançando em uma etapa fundamental para a recuperação do Túnel do Tibau. Essas mangueiras vão conduzir a água do mar até a lagoa por meio de bombeamento, permitindo que a comporta seja fechada e que as equipes trabalhem na recuperação da estrutura. Nossa previsão é colocar esse sistema em funcionamento até o final de novembro. É uma solução técnica importante porque garante a continuidade da entrada de água do mar na lagoa enquanto realizamos uma obra complexa, que exige segurança e cuidados especiais”, destacou.
Recuperação do túnel e impacto ambiental
Com o sistema provisório em funcionamento, será possível fechar a comporta, isolar as extremidades do túnel e esvaziar sua parte interna para a execução dos reparos. Os trabalhos incluem a retirada do revestimento original de concreto, de fragmentos soltos de rocha e de materiais acumulados após os desmoronamentos registrados entre 2018 e 2019.
A remoção será realizada com o uso de retroescavadeira e rompedor hidráulico. Depois dessa etapa, as equipes poderão avaliar as condições da estrutura e identificar os pontos que precisam de tratamento e reforço.
Os desmoronamentos comprometeram o túnel e reduziram significativamente a renovação das águas da Lagoa de Piratininga. A diminuição da circulação contribuiu para o desequilíbrio ambiental, com problemas de oxigenação e episódios de mortandade de peixes, especialmente nos períodos de temperaturas elevadas.
O secretário municipal de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Gabriel Velasco, destacou a importância da manutenção da circulação de água durante as obras.
“A Lagoa de Piratininga precisa dessa renovação constante de água para manter o equilíbrio ambiental e preservar sua biodiversidade. A instalação das mangueiras é uma etapa essencial porque vai permitir que a água do mar continue chegando à lagoa mesmo durante a recuperação do túnel. Estamos trabalhando para enfrentar um problema que se arrasta há anos e que afeta diretamente a vida aquática, os pescadores e toda a população da região. É uma obra que representa um compromisso com a recuperação ambiental da lagoa e com as futuras gerações”, afirmou.
Obra tem investimento de R$ 38 milhões
Construído pelo Governo do Estado há mais de 20 anos, o Túnel do Tibau sofreu desmoronamentos que reduziram drasticamente a passagem de água do mar para a lagoa. Diante dos impactos ambientais, a Prefeitura de Niterói assumiu a execução e a gestão da recuperação, após obter as autorizações ambientais e da Marinha.
A previsão é que, até o fim de novembro, sejam concluídas a instalação das mangueiras e as conexões do sistema provisório, permitindo o início do bombeamento. Com a comporta fechada e o túnel esvaziado, terão continuidade os serviços de recuperação estrutural.
A conclusão da obra deverá restabelecer a circulação de água em volume superior a mil litros por segundo, contribuindo para melhorar a oxigenação, preservar a biodiversidade e reduzir os riscos de novas mortandades de peixes. A recuperação também deverá beneficiar os pescadores artesanais que dependem das condições ambientais da lagoa.
Após a conclusão dos trabalhos e a retomada do fluxo pelo túnel, o sistema provisório será desativado. As mangueiras, tubulações, equipamentos e estruturas de apoio serão retirados.
















