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Maricá usará micro-organismos para despoluição de lagoas

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A utilização de biotecnologia para o tratamento de esgoto, com uso de micro-organismos que fazem a degradação dos resíduos, será implementada em Maricá a partir de janeiro de 2021. Maricá vai aplicar a tecnologia em larga escala, se tornando pioneira em enfrentar a questão da despoluição do sistema lagunar com o recurso.

De acordo com a prefeitura, um relatório técnico, elaborado pela equipe do Aequor, será entregue à Prefeitura com uma avaliação da situação da bacia do Rio Mumbuca. O relatório trará orientações para iniciar a aplicação dos micro-organismos no ecossistema: uma vez liberados, esses micro-organismos (chamados probióticos) se alimentam da matéria orgânica presente no corpo hídrico, reduzindo a carga de poluentes e melhorando a qualidade da água.

“O que estamos trazendo de contribuição são tecnologias que vão ajudar de todas as formas na melhoria da qualidade de vida da população. É um trabalho de inovação”, afirma o presidente da Codemar, José Orlando Dias.

Como vai funcionar?

A liberação pode ser feita tanto por aspersão simples, quanto nas chamadas “mud balls” ou bolas de lama com alta concentração dos microorganismos – neste caso, o sistema é indicado para cursos d´água, pela forma lenta como as bolas de lama vão liberando o conteúdo e fazendo um processo natural de dragagem bem mais rápido e barato que o convencional.

Segundo os pesquisadores do Aequor, uma vez identificada uma área com maior grau de contaminação da água subterrânea, as casas da região poderiam receber os micro organismos para serem lançados nos vasos sanitários. Acionada a descarga, estes se alojariam na fossa ou na caixa de gordura, atacando rapidamente a fonte da contaminação.

O Projeto Aequor será responsável, durante três anos, pelo manejo seguro e pela produção dos micro-organismos que serão liberados nos corpos hídricos do município. Uma unidade de produção desses micro-organismos – que se alimentam da matéria orgânica depositada em rios, canais e lagoas da cidade – está sendo construída em São José de Imbassaí, vizinha ao Hospital Municipal Dr. Ernesto Che Guevara, e o projeto terá ainda um espaço para pesquisas no Parque Eldorado, com laboratórios e salas para formação de técnicos.

O investimento da Prefeitura no programa totaliza cerca de R$ 68 milhões, e prevê, além do emprego de biotecnologia no tratamento de efluentes, a revitalização das lagoas da cidade (projeto Lagoas Vivas); o monitoramento da balneabilidade das praias que ficam no entorno das lagoas; a verificação da qualidade da água dos poços artesianos (projeto Água Pura), para garantir seu uso seguro pela população – Maricá é o município com maior número de poços artesianos per capita do país, cerca de 7 mil; e a formação de técnicos na área de meio ambiente em Maricá, pelo Programa de Aperfeiçoamento Técnico-Científico (Patec).

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