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segunda-feira, setembro 20, 2021
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COLUNA

Opinião: “Rodrigo Neves, em um mês, mudou toda a dinâmica da eleição para governador”

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Conheci Rodrigo Neves quando eu era um moleque. Acompanhei várias de suas campanhas de perto. O vi ser eleito deputado, ser secretário de estado, prefeito de Niterói e agora pré-candidato à governador. Reconheço que ele tem seus defeitos, mas não tenho dúvida de que sua maior qualidade é trabalhar muito mais que a média dos políticos e saber muito mais que eles sobre a gestão pública.

Quando ele voltou de Portugal, tive a oportunidade de sentar e conversar com ele sobre o estado do Rio e São Gonçalo. A dinâmica do seu pré-programa de governo chamado “O Estado do Rio que queremos” é a síntese de um projeto de estado que nunca esteve no radar das disputas eleitorais. O tripé que concilia a recuperação econômica do estado, organização da administração pública e a redução de desigualdades é uma esteira que pode levar o estado ao seu equilíbrio que não se vê desde o início dos anos 2000.

Desde a gestão de Brizola, que ao lado de Darcy Ribeiro organizou a política pública de educação, espalhando os CIEPs pelo Estado, qual outra política pública, salvo algumas pontuais, marcou o Rio de Janeiro? De lá, até hoje, faltou planejamento estratégico e gestão suficientes para encarar os graves problemas que o Rio enfrenta. Enquanto isso, na última década, o Município de Niterói tornou-se um exemplo para o Brasil no que tange à transparência, planejamento e execução dos recursos públicos. Com seus erros e acertos ao longo dos anos, Niterói optou por seguir um plano para nortear o seu desenvolvimento.

O Estado do Rio é o Estado mais difícil de se governar do Brasil. A dívida com a União, o desemprego que já passa de 1,5 milhões de pessoas, a Baía de Guanabara poluída, o saneamento ineficaz, as crises hídricas e a política falida de de segurança pública são alguns dos muitos desafios que o Estado enfrenta. Política, no entanto, não tem segredo. Para (re)construir o Rio de Janeiro será necessário articulação política, diálogo com toda a sociedade, inclusive com forças políticas distintas. Será urgente propor um planejamento de longo prazo e entender a fundo os problemas e, com isso, buscar as soluções a partir da experiência e das práticas que já tiveram êxito, principalmente em território fluminense. Será preciso, olhar de Parati até Porciúncula, de Campos até Resende. Observar Mesquita e São Gonçalo, Niterói e Magé.

Por isso, nosso estado não pode ser administrado por um amador. Veja o exemplo da gestão Witzel e Cláudio Castro que na última quadra da história desestabilizou ainda mais o Estado do Rio. Desmontaram a administração pública, aprofundaram a violência e não garantiram nenhum programa que pudesse reduzir desigualdades, com foco nos mais pobres. Castro, sucessor de Witzel, se coloca nesse papel de candidato a governador, mas a sua única política é usar os recursos do leilão da CEDAE para fazer campanha, de cidade em cidade, garantindo apenas asfalto e obras que não são centrais no nosso desenvolvimento.

A mudança nos números na pesquisa eleitoral para governador, fazendo com que o ex-prefeito de Niterói cresça ponto a ponto, é reflexo de uma eleição que ensaiava ser uma disputa sem projeto. Mourão e Cláudio Castro são pré-candidatos sem projeto. Não sabem o que é Complexo da Saúde, não sabem o que é a descentralizar o turismo do estado utilizando a região dos lagos e não sabem nada sobre a geração de emprego e renda no centro nervoso da região metropolitana.

Sou apenas um vereador de São Gonçalo, mas essa eleição para governador é um ponto histórico para saber se o governo do Estado quebra de vez ou se ele aponta sua jornada para uma recuperação. O leilão da CEDAE, que apesar das minhas críticas, gerou uma janela financeira importante para investimentos em infraestrutura. São mais de 14 bilhões de reais que estão com o Governo do Estado e até a presente data o atual governador não apresentou um plano para aplicar esses recursos.

Além dos 14 bilhões que estão com o Estado, vários municípios receberam grandes montantes, como é o caso de São Gonçalo, que recebeu um bilhão. O governador tem o papel de conectar esses investimentos com os desafios regionais. São Gonçalo precisa investir um bilhão na cidade, mas quem tem que direcionar e integrar esses investimentos é o governador.

O projeto que almeja realmente recuperar o Estado do Rio precisa, a partir de agora, apresentar para a sociedade as suas diretrizes para os próximos quatro anos, após 2023. Precisa atrair investimentos, encontrar alternativas à informalidade, gerar empregos e entender que o saneamento e o direito à saúde são essenciais; que segurança pública se estrutura com inteligência, treinamento,e valorização do servidor. Este projeto precisa ser construído por mãos que compreendem o Estado em toda a sua amplitude e diversidade. Planejar, gerir, acompanhar e avaliar cada passo para a transformação do Rio.

Tenho observado Rodrigo Neves de perto por conta dessa sua percepção sobre a política regional e pela necessidade do Estado do Rio de Janeiro. Não sei se ele será candidato a governador mesmo, mas se for, ele joga o nível do game lá para o alto. Dentre os projetos colocados para o estado, o mais real até hoje é o “Estado do Rio que queremos”.

Romário Régis (foto) é vereador pelo PCdoB em São Gonçalo. Gustavo Gomes é chefe do Gabinete 103 da Câmara de São Gonçalo.

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