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PF cumpre 57 mandados em operação contra rede transnacional de tráfico e lavagem de dinheiro

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A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (23), a Operação Commodity para desarticular uma organização criminosa especializada no tráfico internacional de drogas e na lavagem de dinheiro em escala bilionária. A ação faz parte da Missão Redentor II e contou com o apoio da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO) nos estados de São Paulo e Minas Gerais.

Ao todo, foram cumpridos 13 mandados de prisão preventiva e 44 mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e Santa Catarina. A Justiça também determinou o bloqueio e o sequestro de bens de pessoas físicas e jurídicas investigadas, no valor de até R$ 1 bilhão.

Segundo a Polícia Federal, as investigações revelaram que a organização criminosa mantinha uma estrutura logística internacional para enviar cocaína da América do Sul para a Europa por meio de cargas marítimas. Desde 2021, o grupo teria remetido cerca de 6,5 toneladas da droga ao continente europeu e mantinha vínculos operacionais com integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV), as duas maiores facções criminosas do país.

O esquema utilizava contêineres destinados à exportação para esconder a droga em cargas lícitas, como café, cimento e argamassa. Em alguns casos, a cocaína também era submetida a processos de adulteração química para dificultar sua identificação, chegando a ser diluída em garrafas de refrigerante.

Além do tráfico internacional, a organização é investigada por movimentar valores bilionários por meio de um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro. O grupo utilizava empresas de fachada, empresas emissoras de notas fiscais fraudulentas, holdings, operações com criptoativos, imóveis de alto padrão e bens de luxo para ocultar a origem ilícita dos recursos.

Os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa transnacional, tráfico internacional de drogas, lavagem de capitais e outros delitos que forem identificados durante o avanço das investigações.

Atualização: Durante o cumprimento de um dos mandados da Operação Commodity, na cidade de Igaratá, no interior de São Paulo, um dos investigados reagiu à abordagem e efetuou disparos de arma de fogo contra os policiais. Houve troca de tiros, e o suspeito foi baleado. Ele chegou a receber os primeiros socorros, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no local. Segundo a Polícia Federal, nenhum agente ficou ferido durante a ação.

Divulgação PF

Por que a operação recebeu o nome “Commodity”?

O nome Operação Commodity faz referência ao principal método utilizado pelo grupo para transportar a cocaína ao exterior. A droga era escondida em contêineres de cargas de exportação compostas por commodities — produtos primários comercializados em larga escala no mercado internacional, como café, soja, milho, minério e cimento.

PF
Imagens divulgadas pela Polícia Federal mostram o cumprimento de mandados da Operação Commodity e uma das apreensões que deram origem às investigações. Em setembro de 2025, cerca de meia tonelada de cocaína escondida em sacas de café foi apreendida no Porto do Rio de Janeiro. A carga tinha como destino a Eslovênia.

Ao aproveitar a grande movimentação desses produtos nos portos brasileiros, os criminosos buscavam dificultar a fiscalização e facilitar o envio da cocaína para países da Europa.

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