200 anos de… Cinzas: incêndio de grandes proporções destrói o Museu Nacional, no RJ

Foto: Vitor Abdala / Agência Brasil

Foto: Vitor Abdala / Agência Brasil

Um grande incêndio destruiu o prédio do Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, zona norte da cidade do Rio de Janeiro. O museu, que completou 200 anos em 2018, possuía acervo com mais de 20 milhões de itens. É o maior museu de história natural da América Latina.

Segundo o Corpo de Bombeiros (CBMERJ), as chamas tomaram os três andares do prédio. O fogo começou por volta das 19h30 e, de acordo com a assessoria da corporação, a operação de combate ao incêndio é feito pelo Batalhão de São Cristóvão, com o apoio de cinco quarteis da região. Não há informações de feridos. O museu estava fechado para visitação no momento em que o incêndio começou. Quatro seguranças que estavam no local conseguiram escapar. 

Em entrevista ao canal de TV por assinatura GloboNews, o vice-diretor do Museu Nacional, Luiz Fernando Dias Duarte, afirmou que o acervo está completamente destruído. Afirmou, ainda, que há anos a instituição tenta verba para uma reestruturação. “Passamos por uma dificuldade imensa para a obtenção desses recursos. Agora todo mundo se coloca solidário. Nunca tivemos um apoio eficiente e urgente para esse projeto de adequação do palácio”, lamentou.

Em nota, o presidente Michel Temer lamentou a destruição. “Incalculável para o Brasil a perda do acervo do Museu Nacional. Hoje é um dia trágico para a museologia de nosso país. Foram perdidos duzentos anos de trabalho, pesquisa e conhecimento. O valor para nossa história não se pode mensurar, pelos danos ao prédio que abrigou a família real durante o Império. É um dia triste para todos brasileiros”, afirmou.

O ministro da Educação, Rossiele Soares, afirmou hoje que não serão medidos esforços para auxiliar a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) para recuperar o patrimônio atingido. Em nota, o MEC lamentou o episódio. “O Ministério da Educação lamenta o trágico incêndio ocorrido neste domingo no Museu Nacional do Rio de Janeiro, criado por Dom João VI e que completa 200 anos neste ano.”

Sérgio Sá Leitão, ministro da Cultura, classificou o incêndio como “tragédia imensurável”. Em nota, o ministro lembrou que foi assinado, em junho, um contrato de patrocínio com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no valor de R$ 21,7 milhões. Sá Leitão alertou sobre a necessidade de dar mais atenção ao patrimônio nacional. “Temos que cuidar muito melhor do nosso patrimônio e dos acervos dos museus. A perda é irreparável. Certamente a tragédia poderia ter sido evitada. (…) É vital refazer o Museu Nacional, revendo também seu modelo de gestão. E investir agora para que isso não aconteça nos demais museus públicos e privados”, lamentou. Por fim, Sá Leitão lamenta que “aparentemente vai restar pouco ou nada do prédio e do acervo exposto. A reserva técnica não foi atingida. É preciso descobrir a causa e apurar a responsabilidade”.

A Secretaria de Cultura do Estado também divulgou nota de pesar e se colocou a disposição para ajudar. “Hoje, o povo brasileiro é forçadamente privado da cultura e ciência abrigadas no Palácio da Quinta da Boa Vista. Esperamos que essa catástrofe sensibilize as lideranças do nosso país, no sentido de recuperar os investimentos para a área da cultura e preservação da nossa história e do nosso patrimônio. Uma população privada de sua memória, se torna um povo sem referência”, afirmou a nota. O governador, Luiz Fernando Pezão, também em nota, lamentou as perdas e desejou solidariedade aos funcionários do museu.

HISTÓRIA

Mais antiga instituição histórica do país, o Museu Nacional do Rio foi fundado por D.João VI, em 1818. É vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com perfil acadêmico e científico. Tem nota elevada por reunir pesquisas raras, como esqueletos de animais pré-históricos e múmias.

O local foi sede da primeira Assembleia Constituinte Republicana de 1889 a 1891, antes de ser destinado ao uso de museu, em 1892. O edifício é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

No acervo, com cerca de 20 milhões de itens, há diversificação nas peças, pois reúne coleções de geologia, paleontologia, botânica, zoologia e arqueologia. Há, ainda, uma biblioteca com livros com obras raras.

O Museu Nacional do Rio oferece cursos de extensão e pós-graduação em várias áreas de conhecimento. Para esta semana, era esperado um debate sobre a independência do país. No próximo mês, estava previsto o IV Simpósio Brasileiro de Paleontoinvertebrados no local.

** COM INFORMAÇÕES DA AGÊNCIA BRASIL

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