A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou, nesta quarta-feira (25), uma operação para desarticular uma organização criminosa interestadual ligada ao Comando Vermelho, especializada em explosões de caixas eletrônicos e roubos a residências de alto padrão. A ofensiva é coordenada pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco), com apoio de unidades do Departamento-Geral de Polícia Especializada.
Ao todo, são cumpridos mandados de prisão e de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em Santa Catarina. Até o momento, cinco pessoas foram presas. A Justiça também autorizou o pedido de bloqueio de cerca de R$ 30 milhões ligados ao grupo.
Niterói
Um dos principais focos da investigação está em Niterói. Segundo a Polícia Civil, parte do esquema de lavagem de dinheiro funcionava em uma joalheria instalada na cidade. O estabelecimento é investigado por ocultar valores provenientes tanto das explosões de caixas eletrônicos quanto do tráfico de drogas no Complexo do Viradouro.
De acordo com os agentes, a conexão evidencia como crimes patrimoniais sofisticados eram usados para financiar o tráfico armado na região.
Estrutura hierarquizada
As investigações apontam que o grupo tinha atuação organizada e divisão clara de funções. Havia um núcleo de liderança, um braço técnico-operacional especializado no uso de maçarico industrial para violar caixas eletrônicos, um setor de inteligência responsável pelo levantamento prévio dos alvos e um núcleo logístico-financeiro encarregado de movimentar e ocultar os valores ilícitos por meio de um esquema estruturado de lavagem de capitais.
Ainda segundo a Draco, integrantes vindos de Santa Catarina se deslocavam ao Rio para executar os ataques. Aqui, contavam com apoio logístico da facção criminosa, que fornecia veículos roubados para fuga, ferramentas usadas nas explosões e locais para abrigo antes e depois dos crimes.
R$ 30 milhões movimentados
A Polícia Civil identificou movimentação de aproximadamente R$ 30 milhões ao longo de cinco anos, por meio de contas de pessoas físicas e jurídicas usadas para dissimular a origem do dinheiro.
Além do bloqueio dos valores, foi solicitada à Justiça a indisponibilidade de bens móveis, imóveis e veículos de luxo ligados aos investigados. O objetivo, segundo a corporação, é descapitalizar a organização criminosa e interromper o fluxo financeiro que sustentava as atividades ilegais.

















