Acessibilidade nas calçadas de Maricá

Encontro realizado no Centro de Artes Unificados (CEU), na Mumbuca, apresentou as etapas do programa programa “Calçada Acessível” que pretende melhorar a mobilidade urbana em Maricá. O projeto foi apresentando para o Conselho Municipal dos Direitos das Pessoas com Deficiência (Condef) e as secretarias municipais de Obras; Trabalho; Conservação; Assistência Social; Segurança Pública, Ordem Pública e Trânsito; Habitação; Politicas para a Terceira Idade; Proteção e Defesa Civil e Geral e de Governo. O programa é uma parceria entre a Prefeitura, a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) e a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP). 

Segundo o arquiteto da regional Rio da ABCP, Luiz Gustavo, responsável pelo lançamento do programa e apresentação do projeto para os representantes de cada secretaria, essa primeira ação serviu principalmente para ver o reflexo no que diz respeito a aceitação do programa pelos secretários. “Assim como foi a reunião anterior realizada com o prefeito Fabiano Horta, hoje pude perceber o interesse e a aceitação do programa. Todos os presentes se mostraram realmente interessados em conhecer e contribuir com o projeto”, afirmou Luiz. “Deixei bem claro que podem participar e devem participar para somar com todo o grupo, pois só assim o programa será um sucesso para toda a cidade”, explicou. “Quem vai coordenar o programa no município é a secretaria de Obras, mas as demais secretarias estão mais que convidadas a participar e contribuir com as suas respectivas expertises”, completou. “O papel da Firjan foi nos apresentar ao prefeito, para avaliar a adesão, mas a partir de agora a execução de todo o programa será feito pela ABCP”, concluiu o arquiteto.

“O projeto de fato é muito interessante porque o município de Maricá, assim como outros municípios de forma geral, não tinham essa preocupação com a acessibilidade”, afirmou o arquiteto da secretaria de Obras, Francisco Lameira. “Isso é um cuidado que vem acontecendo há pouco tempo e é muito importante, pois como vimos na apresentação é preciso que exista a acessibilidade não apenas para o cadeirante, mas também para a gestante, para o idoso, para a criança, ou seja, para todos nós, porque todos precisamos dela”, avaliou. “Sendo assim, cabe a nós, ao poder público, à secretaria de Obras e à Prefeitura ajudar neste processo. Também é importante que a população, de um modo geral, também acate essa resolução que está sendo cuidadosamente realizada”, concluiu Francisco.

Para a secretária de Políticas para a Terceira Idade, Lezirée Figueiredo, este é um projeto muito importante e que vai atender a toda a população. “Vejo tudo isso como uma iniciativa muito boa. A terceira idade realmente precisa, pois é um direito deles, mas não há dúvidas de que será ótimo para todos os cidadãos de Maricá”, frisou Lezirée.

A cadeirante Mônica Batista, moradora do Boqueirão e integrante do Comdef afirmou que reside em Maricá há 14 anos e contou sobre sua dificuldade atual em circular pela cidade. “Devido à distância da minha casa até o trabalho, no Centro, tenho a necessidade de circular pela cidade e como não tenho carro, na maioria das vezes, utilizo táxi, que tem um custo”, relatou. “Embora os Vermelhinhos sejam adaptados para a minha necessidade, a minha maior dificuldade é que nem sempre eu estou com um acompanhante e nem sempre os pontos de ônibus são próximos dos locais do meu destino. Quando isso acontece não tenho como utilizar as calçadas, pois a maioria é completamente inadequada, há obstáculos como raízes, buracos e não há um padrão”, explicou. “Meu desejo é que as calçadas de Maricá sejam padronizadas. A minha expectativa com relação a esse programa é que na verdade seja uma calçada universal e realmente acessível a todos, independentemente de ter ou não alguma dificuldade, pois a necessidade de utilização é de todos”, frisou Mônica Batista.

“Eu me tornei deficiente visual há 10 anos e desde que perdi minha visão não há calçada em Maricá que eu possa usar, então ando junto ao meio-fio, pela rua, me arriscando pelos carros”, relatou Renê Bazarei, morador da Mumbuca, e que vive em Maricá há 18 anos. “Espero que esse projeto que nos foi apresentado venha contemplar as normas da ABNT, que é uma norma mundial, e seja alguma coisa que tenha seu inicio pelo Centro de Maricá e se espalhe por todos os bairros do município”, analisou. “Com isso esperamos que a Prefeitura realize a devida fiscalização das calçadas, pois nós temos situações em que os próprios proprietários privatizam suas calçadas fechando os acessos com ferros e obstáculos que impedem outros usuários de passar”, denunciou. “É de competência do morador cuidar da sua calçada, mas é competência da Prefeitura fiscalizar essa calçada. Meu desejo é que nós possamos ser um município padrão para todo o estado e quem sabe todo o pais”, disse Renê Bazarei.

O próximo encontro deve acontecer em 17/10, quando será realizado um workshop e uma reunião com tema a ser escolhido. Já no dia 18/10, a programação será repetida em local a ser definido. A partir destes encontros será elaborado o Manual Técnico e o Folder de Calçada, para na sequência, após terem sido realizadas todas a reuniões necessárias à criação da lei ou decreto do manual de acessibilidade e impressão do manual técnico e folder de calçada.

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