A 19ª DP (Tijuca) concluiu a investigação sobre o incêndio ocorrido no Shopping Tijuca, na Zona Norte do Rio, em 2 de janeiro deste ano, e indiciou cinco pessoas. O resultado do inquérito será apresentado oficialmente nesta sexta-feira (27).
De acordo com a apuração, o trabalho investigativo — aliado às perícias técnicas — identificou falhas de gestão, demora na comunicação ao Corpo de Bombeiros e erros nos protocolos de segurança.
Dois funcionários do shopping foram indiciados por incêndio doloso qualificado pela morte, lesão corporal culposa, crime de perigo para a vida ou saúde de terceiros e fraude processual. Uma terceira envolvida responderá pelos mesmos crimes, exceto fraude processual. Além deles, dois funcionários da loja onde o fogo começou foram indiciados por incêndio doloso e lesão corporal.
As investigações apontaram uma sucessão de falhas que contribuíram para a morte da bombeira civil Emellyn Silva Aguiar Menezes e do supervisor de segurança Anderson Aguiar, além de deixarem quatro pessoas feridas. Ao todo, 38 pessoas foram ouvidas. Depoimentos e laudos técnicos indicaram problemas na comunicação após o início das chamas, ausência de alarmes eficazes, evacuação desorganizada, treinamento insuficiente e demora na transmissão de informações precisas sobre a ocorrência.
Também foi constatado que a loja não possuía alvará do Corpo de Bombeiros e que o shopping não dispunha de sistema de exaustão adequado para o controle da fumaça. Segundo a investigação, houve atraso no acionamento da corporação: o botão de pânico foi pressionado às 18h04, mas o chamado oficial aos bombeiros ocorreu apenas às 18h27. As equipes chegaram ao local às 18h40.
Em relação à fraude processual, a polícia apurou que responsáveis pelo shopping permitiram a entrada de pessoas em área interditada e a retirada de um item considerado importante para a investigação.
O laudo técnico concluiu que o incêndio teve origem elétrica previsível, em ambiente inadequado do ponto de vista técnico, sendo agravado por falhas estruturais e de segurança. O documento aponta instalações elétricas em desacordo com normas técnicas, elevada carga de incêndio — inclusive em áreas técnicas —, falhas de compartimentação, atuação insuficiente dos sistemas de combate e ausência de controle eficiente de fumaça. Segundo os peritos, esses fatores contribuíram diretamente para a magnitude e a rápida propagação das chamas.


















