spot_imgspot_img

Leia a nossa última edição #81

spot_imgspot_img
spot_imgspot_img

Clima extremo: Morro do Bumba 15 anos

Mais lidas

Segunda-feira (7) completam 15 anos da tragédia do Morro do Bumba, em Niterói. O evento comoveu a população e obrigou as autoridades a repensar tudo sobre áreas de risco e eventos extremos da natureza.

Antes da tragédia do dia 7 de abril de 2010, o Morro do Bumba no bairro Viçoso Jardim em Niterói, foi um lixão por uns 16 anos de uso e pessoas muito pobres foram morar lá depois de 1986, ocupando a área aterrada.

As autoridades na época começam uma ação de urbanização no local, e até constroem uma quadra, o Estado bota uma grande caixa d’água no alto do morro.

As ações de urbanização e tentativa de melhorar o terreno seguem nas administrações posteriores, infelizmente esquecendo o histórico do terreno e do lixão.

O tempo passa e, em 2010, uma tempestade severa cai sobre a cidade de Niterói. Várias partes da cidade registram deslizamento de terras, várias ruas, avenidas, estradas tem bloqueios por escorregamentos nas encostas.

Quartel dos Bombeiros de Niterói – 3º GBM Divulgação

18 horas –  aproximadamente às 18 horas, os bombeiros, o central do bombeiro recebe uma chamada para o Morro do Bumba. A equipe do quartel de Niterói segue para o local.

Eles verificam, é um pequeno deslizamento, tudo registrado, eles voltam para a unidade.

20 horas – Aproximadamente às 20 horas, uma segunda chamada no mesmo local, no Morro do Bomba. Dessa vez não é um pequeno deslizamento. Cerca de 600 metros do local deslizam, a terra desce, arrasando tudo que tinha na sua frente.

Mais de 100 pessoas são dadas como desaparecidas, após buscas incessantes, 48 corpos são encontrados.

O evento do morro do Bumba é um dos maiores registrados na cidade com clima e chuvas extremas. Após essa evidente tragédia, as autoridades não só de Niterói, como do Estado, criaram as regras e a Defesa Civil foi toda remodelada para enfrentar os problemas que estavam para chegar.

O hoje, Tenente Coronel do Corpo de Bombeiros Gil Kempers, estava como oficial de plantão no centro de operações no dia da tragédia. Ele lembra que a chuva provocou várias situações de emergências na área do Grande Rio e em Niterói naquele dia 7 de abril.

“Eu lembro que a ocorrência foi por volta de oito, nove horas da noite. Na verdade, estava chovendo o dia todo, forte, com várias ocorrências. primeira ocorrência que entrou no Morro do Bumba foi por volta de cinco ou seis horas. A equipe foi ao local, atendeu e voltou. E aí por volta das oito horas que houve o desabamento total. Mas entrou primeiro uma pequena ocorrência lá no local. Depois é que teve o escorregamento maior. E foi a madrugada inteira de trabalho”, relembra Kempers.

Defesa Civil não estava preparada para o evento

A arquiteta e engenheira de avaliações (perita) Bianca Neves era a coordenadora da Defesa Civil na época do desastre. A lembrança dela é de um dia onde muitos eventos ocorreram, com a cidade quase paralisada pelos deslizamentos em vários bairros, com vias interditadas parcialmente ou na totalidade. Ela mesmo ficou retida e teve dificuldade para chegar no Bumba. Apesar da Defesa Civil Municipal não ter, na época, equipamentos para enfrentar um cenário daqueles, o treinamento constante ajudou a superar e minimizar a dificuldade.

“Depois do Bumba é solicitado pelo governo do estado que seja criada uma secretaria única e exclusivamente da Defesa Civil, para que ela pudesse captar recursos próprios para uma outra eventualidade dessa”. O governo do estado fornece pluviómetros e sirenes, e aí sim é criado um protocolo para atendimento nesse tipo de sinistro. Nós recebemos computadores, máquinas fotográficas, GPS e aí começa a estruturação da nova Defesa Civil. Nós fizemos um programa próprio de registro de solicitação, programa formatizado, de registro de protocolos de processos administrativos, e aí isso foi facilitando a vida. Com isso, acaba que a gente chega num momento que a gente fornecia as informações para as demais secretarias. A gente facilitou o meio de campo. E a gente foi crescendo com isso, recebendo viaturas, reestruturando a equipe de trabalho”, relata Bianca.

Resgate no Bumba / Reprodução da Tv 2010

Especialista comenta a tragédia

Na época do evento, a geóloga Joana Carvalho estava na área de petróleo e após o deslizamento se especializou em risco e desastres.

“Até a própria lei, a 12.608, que institui a Política Nacional de Proteção e Defesa Civil, ela é de 2012, então muita gente associa a impulsão dela em razão do mega desastre da Serra de Friburgo 2011 mas ela já estava desenhada antes e teve sim, a colaboração do desastre do Bumba. O Bumba tem uma contribuição absurda para se começar a pensar a gestão de risco e desastre.

Joana reforça que o evento do Morro do Bumba é citado em encontros internacionais da área de geologia e risco.

“O Bumba ele foi, obviamente, ele é um marco, não só nacional, mas mundial. Em conferências mundiais a gente ouve falar do Bumba, é uma referência mundial para quem trabalha com risco, sobretudo com o movimento de massa”, comenta.

“Aqui no estado sempre tenho a preocupação de pontuar que o Bumba tem um destaque. Naquele mesmo ano Niterói teve diversos outros pontos de deslizamento, de destruição e de óbito, mas o cenário estabelecido em 2010 em Niterói foi caótico”, reforça a especialista.

spot_imgspot_img
spot_imgspot_img

Últimas notícias

spot_imgspot_img
spot_imgspot_img
spot_imgspot_img