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sábado, setembro 25, 2021
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Confusão na Câmara de Niterói acaba na delegacia

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A vereadora Verônica Lima (PT) registrou um boletim de ocorrência contra o também vereador Paulo Eduardo Gomes (PSOL). A parlamentar teria sido agredida verbalmente durante uma reunião entre vereadores.

De acordo com Verônica, durante a discussão, Paulo teria dito: “você quer ser homem? Então, vou te tratar como homem!” e, em seguida, partiu em direção a vereadora, em uma suposta menção de agressão física. O parlamentar foi contido pelos demais vereadores da casa.

Verônica, que é lésbica, classificou o ato como lesbofobia. “O ocorrido hoje é mais um episódio escancarado de violência política contra mulheres e LGBTQIA+. Somos constantemente constrangidas, desrespeitadas e intimidadas, mas não recuaremos! É importante se atentar para o fato de que essas formas de opressão ainda são muito recorrentes”, afirmou a parlamentar.

“Quando Paulo Eduardo questionou se ‘eu queria ser homem’ e disse que ia ‘me tratar como homem’, quis me constranger pela minha orientação sexual. Não quero ser homem! Sou uma parlamentar com diversas produções legislativas que dispõem sobre a violência contra as mulheres e o combate às opressões”, completou a vereadora.

A parlamentar espera que Paulo Eduardo seja responsabilizado. “Quero poder viver com dignidade e liberdade sendo mulher, e desejo que todas nós possamos ter nossos direitos assegurados. Atitudes machistas, lesbofóbicas e intimidatórias como a de Paulo Eduardo têm que ser devidamente responsabilizadas”, concluiu.

Em nota, o vereador admitiu o erro. “Errei. Nada justifica a forma como tratei a vereadora Verônica Lima (…). Mesmo eu, com um longo histórico de lutas em defesa dos Direitos Humanos e combate às opressões, estou sujeito a praticar atos machistas e lesbofóbicos”, pontuou. Paulo negou que teria tentado agredir Verônica fisicamente. “Jamais consideraria essa hipótese”, disse.

“Sou um homem branco, hétero e de 70 anos. Obviamente que estas características não podem e não devem me credenciar para nada. Diferente disso, mais do que nunca é importante fazer autocrítica e reconhecer que por vezes acabo reproduzindo as estruturas machistas e patriarcais em que nossa sociedade foi gestada. (…) Por isso seguirei com toda a humildade que me cabe nesse momento, fazendo a autocrítica necessária sobre o erro que cometi, afinal, nenhuma divergência política permite a falta de respeito e a reprodução de falas que causem dor às mulheres.
E firmo aqui um novo compromisso antimachista, para me colocar ainda mais a serviço da luta das mulheres”, afirmou Paulo Eduardo.

O caso foi registrado na 76° DP – Niterói. Verônica também irá fazer uma representação por quebra de decoro parlamentar contra Paulo Eduardo Gomes.

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