Garotinho denuncia: “deputado sabia da minha prisão há 50 dias”

Foto: Tânia Rego / Agência Brasil Foto: Tânia Rego / Agência Brasil

O ex-governador Anthony Garotinho (sem partido) afirmou ter recebido a informação de que o deputado estadual Rodrigo Bacellar (SD) já sabia de sua prisão. A denúncia foi feita na noite desta segunda-feira (09) em uma transmissão ao vivo em sua rede social.

Segundo Garotinho, há aproximadamente 50 dias, sua esposa e também ex-governadora Rosinha Matheus (PATRI) recebeu uma pessoa (cuja identidade não foi divulgada) que afirmou ter ouvido de Bacellar que ele seria preso em breve. Essa afirmativa teria sido feita enquanto ambos aguardavam para serem atendidas pelo presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) André Ceciliano (PT).

“Em dado momento, o deputado deu risada e disse assim: ‘Garotinho vai ser preso dentro de poucos dias’. A pessoa olhou e perguntou porque eu seria preso, e o deputado respondeu: ‘fica na sua, eu sei o que estou falando, e não deveria nem ter falado”, relatou Garotinho.

O ex-governador disse que, após tomar conhecimento do caso, pediu para que seus filhos Clarissa Garotinho (PROS) e Wladimir Garotinho (PSD), atualmente deputados federais, marcassem uma audiência no Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ). A audiência foi marcada e o Procurador-Geral do órgão, José Eduardo Ciotola Gussem, disse que não havia nada no MPRJ e que, se houvesse algo, seria em Campos.

Dias após, Garotinho afirmou ter recebido uma mensagem dizendo que o juiz Glicério Angiólis foi transferido de Miracema para Campos “cumprir a missão de complicar a vida” dos ex-governadores. Glicério concedeu um título de homenagem à Bacellar em maio deste ano.

“Como é que o deputado já sabia de uma decisão há cinquenta dias atrás?”, indagou Garotinho, completando: “Será que essa decisão foi vazada para ele? Não sei! Será que foi combinada com ele? Não sei”, conjecturou.

“Rosinha, meus advogados e eu estamos entrando junto à Corregedoria do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro para saber o que houve. Até porque há outro fato grave; nossos advogados, não conseguiam ter acesso ao processo e entrarem com recurso. O advogado aqui no Rio teve que ligar para a Corregedoria do Tribunal, o corregedor ligar para o juiz em Campos para que ele entregasse o processo. Por isso que acabou entrando no plantão à noite”, adiantou o ex-governador.

Em postagem também nas redes sociais, o deputado estadual Rodrigo Bacellar disse não mantém relações com o juiz Glicério Angiólis. “Imagino que ter recebido uma comenda na Câmara de Miracema e posar para uma foto não faz de ninguém um ‘amigo do peito’. Só estive pessoalmente esse dia com o Juiz que decretou a prisão, e inclusive o único processo em que advoguei perante o Magistrado em causa eu perdi, no bojo de um processo em Laje do Muriaé onde o Prefeito foi cassado”, afirmou.

Rodrigo acredita que a citação seja em conta do processo eleitoral para 2020, em que ele é colocado como postulante à Prefeitura de Campos tendo como virtual concorrente o deputado federal Wladimir Garotinho, filho dos ex-governadores. “Creio, como já dito antes, que essa preocupação comigo está se dando em razão das pesquisas encomendadas por eles mesmos sobre o próximo pleito sucessório. A medida que nomes como o meu surgem no páreo, sem a enorme rejeição capitaneada por eles, dá-se início a um processo difamatório e de fake news contra o eventual adversário”, analisou.

Bacellar, que é advogado, acredita que o casal Garotinho não deveria ter sido preso. “discordo frontalmente do decreto prisional em desfavor de Garotinho e Rosinha, tendo em vista tratar-se de fato bastante pretérito, o que, por si só, não deveria ensejar uma prisão preventiva. Não tenho como analisar o mérito sem compulsar os autos, mas a prisão preventiva, por ser um instrumento de exceção, é de fato aparentemente inaplicável ao caso em tela”, pontuou.

Tentamos contato com o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, mas não obtivemos sucesso.

Notícias Relacionadas