O primeiro dia da greve dos rodoviários do município do Rio de Janeiro, nesta segunda-feira (29), é marcado por redução da frota, ônibus vandalizados e transtornos para os passageiros. A paralisação, aprovada por cerca de 2 mil trabalhadores em assembleia, é por tempo indeterminado e reivindica reajuste salarial e melhorias nas condições de trabalho.
Segundo balanço divulgado pelo Rio Ônibus, cerca de 800 ônibus circulam pelas ruas da capital nesta manhã. O sindicato patronal também informou que 40 coletivos foram vandalizados por grevistas, prejudicando a operação.
Em nota, o Rio Ônibus afirmou que as empresas seguem mobilizadas para ampliar a oferta de veículos e fez um apelo para que motoristas e demais rodoviários compareçam às garagens, a fim de restabelecer a normalidade do serviço o mais rápido possível. A entidade também reforçou que a decisão da Justiça determina a circulação de pelo menos 50% da frota durante a paralisação.

Justiça mantém greve legal
A greve foi considerada legal pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT-RJ), que determinou a manutenção de, no mínimo, metade da frota em circulação por linha e itinerário, especialmente nos horários de maior movimento. O presidente do Sindicato dos Rodoviários, Sebastião José, afirmou que a categoria cumprirá integralmente a decisão judicial.
Na noite de domingo (28), o TRT marcou uma audiência de conciliação entre o Sindicato dos Rodoviários e o Rio Ônibus para esta terça-feira (30), às 11h, na tentativa de encerrar o impasse.
Categoria rejeitou proposta patronal
A paralisação foi decidida após os trabalhadores recusarem a proposta apresentada pelo Rio Ônibus, que previa reajuste de 4,39%, correspondente ao IPCA acumulado até abril.
De acordo com o sindicato da categoria, os rodoviários reivindicam mudança da data-base para 1º de março, salário de R$ 5 mil para motoristas de ônibus articulados e R$ 4 mil para os demais motoristas, vale-alimentação de R$ 1 mil, jornada de trabalho de 5×2, fim dos contratos temporários no BRT com contratação pela CLT, manutenção do passe livre, pagamento do intervalo de almoço e implantação de planos de saúde e odontológico.
O presidente do sindicato afirmou que os trabalhadores enfrentam salários defasados, jornadas que ultrapassam 14 horas diárias, falta de estrutura nos terminais e aumento da violência, fatores que, segundo ele, justificam a mobilização.
Passageiros enfrentam dificuldades
Durante a manhã, passageiros relataram longas filas nos pontos e ônibus lotados em diversas regiões da cidade.
A Prefeitura do Rio informou que os sistemas de metrô, trens e barcas operam normalmente e podem ser utilizados como alternativa de transporte enquanto durar a paralisação.
Jogo do Brasil
A paralisação ocorre no mesmo dia da partida entre Brasil e Japão pelas oitavas de final da Copa do Mundo, às 14h. Como a Prefeitura do Rio e o Governo do Estado decretaram ponto facultativo, a expectativa é de menor circulação de pessoas na cidade, o que deve amenizar os impactos da greve no transporte público.

*Matéria em atualização.




















