A Justiça do Rio decidiu manter a prisão preventiva de Adriana Souza Possobom Aragão de Miranda, apontada como mandante do assassinato do próprio irmão, o mestre de capoeira Paulo Cesar da Silva Souza, mais conhecido como Paulinho Sabiá. O crime ocorreu em fevereiro deste ano, em Niterói.
Durante a audiência de custódia realizada nesta sexta-feira (10), a defesa solicitou a conversão da prisão em domiciliar, enquanto o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro defendeu a manutenção da medida. O juiz Diego Fernandes Silva Santos considerou válida a prisão e não identificou irregularidades, determinando a continuidade da custódia. Adriana está presa desde a última quarta-feira (08).
Crime premeditado
Segundo as investigações, o homicídio foi planejado. Dois dias antes da execução, a vítima já havia sofrido uma tentativa de ataque frustrada por falha na arma. No dia 18 de fevereiro, Paulo Cesar da Silva Souza foi morto a tiros por dois homens em uma motocicleta, com apoio de um terceiro envolvido que monitorava sua rotina.
A motivação, de acordo com a polícia, estaria ligada a interesses financeiros. Há indícios de que a vítima guardava dinheiro em espécie e de que a irmã já teria participado de um episódio anterior de roubo.
Confissão e provas
Um dos executores, Juan Nunes dos Santos, foi preso e confessou participação no crime. Ele afirmou que recebia informações privilegiadas sobre os hábitos da vítima.
A perícia no celular do suspeito revelou trocas de mensagens com Adriana pouco antes dos ataques, incluindo dados sobre localização e rotina do capoeirista. Com base nessas provas, a Polícia Civil solicitou a prisão da investigada.
Declaração após o crime
No dia seguinte ao assassinato, Adriana afirmou à imprensa não saber o motivo do crime e chegou a descrever o irmão como uma pessoa pacífica. Ela também foi responsável por liberar o corpo no Instituto Médico Legal.
Referência na capoeira
Reconhecido nacionalmente, Paulo Cesar da Silva Souza iniciou na capoeira ainda na infância, nas ruas de Niterói. Formado pelo Grupo Senzala e discípulo de Mestre Camisa, fundou em 1989 o Grupo Capoeira Brasil ao lado de outros mestres.
Com estilo técnico e inovador, teve papel fundamental na consolidação da capoeira contemporânea, influenciando gerações de praticantes no Brasil e no exterior.

















