Um médico da rede municipal de saúde de São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, foi demitido após uma paciente denunciar ter sido vítima de racismo durante um atendimento na Unidade de Saúde da Família (USF) Jardim Catarina.
A auxiliar de creche Symone Cordeiro, de 57 anos, paciente bariátrica, procurou a unidade para solicitar exames de rotina. Segundo o relato, ao entrar no consultório, ela foi tratada de forma grosseira pelo médico, que teria gritado para que abrisse a porta — comportamento que a surpreendeu, já que os atendimentos anteriores aconteciam com a porta fechada.
Durante a consulta, Symone comentou que estava de férias e aproveitaria o período para realizar os exames. Em resposta, o profissional teria feito um comentário ofensivo: “Só porque está de férias não penteia o cabelo?”.
Pouco depois, uma enfermeira alertou o médico sobre a necessidade de manter a porta fechada durante o atendimento. De acordo com a denúncia, o profissional fez então um novo comentário de cunho racista, comparando o cabelo da paciente ao da enfermeira e afirmando que o dela estaria “mais arrumado”.
Symone afirmou que reagiu dizendo gostar do próprio cabelo, crespo, e deixou o consultório emocionalmente abalada. Em entrevista ao jornal O DIA, ela relatou ter se sentido constrangida, humilhada e com crise de ansiedade após o episódio.
O caso ocorreu na última quinta-feira (08) e a paciente registrou a denúncia junto à direção da unidade, que apurou o caso e determinou a demissão imediata do médico. Procurada, a Prefeitura de São Gonçalo confirmou o desligamento e afirmou que não tolera práticas racistas. Segundo o município, outro profissional já foi designado para atender na unidade.
Symone informou ainda que pretende registrar ocorrência na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) nesta terça-feira (12).
















