Os cinco jovens de Maricá, por Jandira Feghali

Diferente do que alguns tentam propagar, não há mortes mais ou menos importantes nessa verdadeira guerra que se estabeleceu no Rio de Janeiro. A violência de algumas delas, no entanto, nos chocam de tal maneira que nossa indignação se expressa de forma mais veemente. É o caso da morte de cinco jovens em Maricá. Todos entre 16 e 20 anos e brutalmente assassinados quando desfrutavam de um espaço de convivência no conjunto residencial popular onde moravam.

Como não se chocar quando o desprezo pela vida se alia a um projeto de poder que se alimenta da insegurança das pessoas? Como aceitar que jovens com uma vida pela frente terminem no asfalto com tiros na cabeça?

Ainda não havíamos nos recuperado do crime político contra a vereadora Marielle, quando mais uma notícia de execução nos alcançou. Na véspera a Rocinha voltava aos noticiários e, como se fossem naturais as trocas de tiros, oito mortes aumentavam as estatísticas. Os fluminenses clamam por políticas de segurança e por justiça. Clamam pelo direito de andar pelas ruas sem medo. Pelo direito a ver seus filhos crescerem. E a intervenção federal, decretada no improviso, ainda não disse a que veio.

Repudiamos os atos de violência crescentes em nosso Estado, atos esses que atingem principalmente os jovens pobres e negros. A solução, no entanto, apesar de planejada e apontada em diversos planos, não teve prioridade e não vimos acontecer no nosso Estado onde os descompromissos com o povo e a “licença para matar” são agravados pela aliança dos desgovernos Temer/Pezão.

Para além da tristeza e solidariedade aos amigos e familiares das vítimas temos que cobrar que a investigação identifique os responsáveis e que sejam punidos. Mais do que isso, precisamos exigir ações que devolvam a cidadania ao povo do Rio de Janeiro. Ações que não são apenas de segurança pública, mas de geração de emprego e renda, educação e cultura acessível à nossa juventude, políticas de saúde, moradia e condições dignas de habitabilidade e convivência numa cultura diversa e de paz, sem discriminação ou preconceito de nenhum tipo.

O ponto a que chegamos é responsabilidade de um Estado ausente e cego que se omitiu e permitiu que a crise fosse terreno fértil para a desesperança e para a violência. À omissão do Estado respondemos em alto e bom som: basta! Não queremos mais prantear nossos jovens.

Cada vida perdida é um sinal a indicar o equívoco das soluções até agora apontadas. Cada vida importa e para que nenhuma mais se perca é preciso devolver ao Rio de Janeiro a possibilidade de crescer e prosperar. Isso não se faz sem projeto coletivo e democraticamente construído com o povo e para servir às suas demandas de felicidade e bem comum. Sávio, Mateus, Marco, Matheus e Patrick, presentes!

* Jandira Feghali é deputada federal pelo PCdoB/RJ e vice-líder da Minoria na Câmara dos Deputados

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