O sonho do diploma universitário teve início na terça-feira (25) para 1.280 alunos, que receberam os certificados do Passaporte Universitário durante cerimônia em Araçatiba. Realizado pela Prefeitura de Maricá por meio da Secretaria de Educação, o programa concede bolsas de estudo nos ensinos superior e técnico custeadas 100% pelo município. Os novos universitários começam a estudar já no primeiro semestre de 2025. No último dia 17, 50 alunos que cursarão Medicina receberam os certificados no Cine Henfil.
O programa prevê que 60% das bolsas universitárias sejam ofertadas para estudantes que concluíram o Ensino Médio em escolas públicas do município, ou para aqueles que estudaram com 100% de gratuidade em uma unidade particular e cuja renda bruta familiar não ultrapasse oito salários mínimos.
10% das vagas serão destinadas aos servidores públicos municipais e 30% para os candidatos de ampla concorrência, cuja renda bruta familiar não extrapole oito salários mínimos (exceto para os inscritos em Medicina). Além disso, 30% das vagas no curso de Medicina são destinadas à população negra.
O vice-prefeito João Maurício de Freitas, que representou o prefeito Washington Quaquá na cerimônia, reforçou o cerne do projeto: combater a desigualdade social e permitir que pessoas, cujas condições socioeconômicas impediriam o acesso ao Ensino Superior, possam conquistar o sonho do diploma universitário.
“Ao criarmos o Passaporte Universitário, damos a oportunidade para que todos tenham as suas profissões. Criamos esse programa para dizer que, aqui em Maricá, o filho da faxineira, o filho do servente, pode ser médico ou nutricionista. Aqui em Maricá, todos têm os direitos iguais na inclusão de poder estudar em uma universidade pública ou uma instituição particular custeada pela prefeitura”, afirmou o vice-prefeito.
Falando diretamente aos novos bolsistas durante o discurso, o secretário de Educação, professor Rodrigo Moura, deu uma palavra visando motivar os alunos que iniciarão em seus cursos. “Lembrem-se que a cadeira que vocês vão ocupar na universidade não é só uma cadeira, não é só o sonho de vocês. É também é o sonho de um município, de uma prefeitura que pensa uma sociedade que se transforma a partir do público. Só teremos uma sociedade igualitária a partir da educação, que sempre será a nossa bandeira”, discursou o secretário.
“Hoje é uma noite de festa. Só tenho a agradecer ao prefeito Washington Quaquá por ter ampliado o número de bolsas, concedendo mais 1.000 bolsas e dobrando as vagas para Medicina. Obrigado, prefeito, por acreditar que a educação transforma. Vamos seguir investindo na nossa população”, discursou a vereadora Adriana Costa, ex-secretária de Educação e uma das responsáveis pela implementação do programa há seis anos.
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Desenvolvimento Econômico é o foco
Em consonância com os projetos estruturantes que estão chegando a Maricá – como o complexo residencial e turístico Maraey e o Porto de Jaconé – o Programa Passaporte Universitário está ofertando, a partir deste semestre, vagas em cursos criados a partir da demanda da iniciativa privada. Já estão disponíveis as graduações tecnológicas em Astronomia, Turismo, Desenvolvimento de Software e Gestão Ambiental.
“Entendemos o Passaporte Universitário como uma ferramenta na política de desenvolvimento econômico da cidade. Por isso, estamos em permanente troca com os setores produtivos e com as instituições credenciadas para que sejam ofertados cursos que dialoguem com os projetos que irão transformar a realidade do município. Precisamos trabalhar para que esse milhares de alunos saiam das faculdades e tenham emprego sem precisar sair de Maricá”, explicou o subsecretário de Políticas Públicas, Tecnologia e Ações Estratégicas Educacionais da Secretaria de Educação, Victor Silveira.
Presidente da Comissão de Educação e líder de Governo na Câmara de Maricá, o vereador Hadesh lembrou que a política pública tem, por objetivo, promover a emancipação econômica dos moradores locais. “Nós não queremos que as pessoas fiquem dependendo de alguém para arrumar emprego. Nós queremos dar oportunidade, queremos construir uma cidade que seja não só dependente da prefeitura. Nós precisamos construir uma cidade que se desvincule da relação econômica dos royalties do petróleo”, disse o parlamentar.
A diretora-geral da Universidade de Vassouras, Denise Cardim, disse que a instituição quer contribuir com o desenvolvimento econômico da cidade. “A universidade não vem para a cidade somente para receber pessoas. Ela vem para Maricá com o propósito de construir junto um município diferente, economicamente mais forte, socialmente mais vivo”, afirmou.
Oportunidade de mudança de vida
Cada um dos quase 1.300 ‘passaporteanos’ presentes no espaço montado ao lado do Aeroporto de Maricá, em Araçatiba, tinha uma história de vida para contar. O que vários compartilhavam entre si era a importância da oportunidade dada pelo Passaporte Universitário enquanto ferramenta para mudar de vida.
A moradora de Inoã Taiana Carla do Carmo Menezes, 30 anos, é apenas a terceira integrante da família a cursar o Ensino Superior. Ela contou a importância dessa graduação para o núcleo familiar. “Depois de terminar o ensino médio, consegui entrar numa universidade. É uma grande conquista. Tenho duas filhas e quero ser exemplo para elas futuramente também. É um grande sonho que estou realizando hoje”, comemorou.
Caloura de Serviço Social, a também moradora do 3º distrito Mirian Albano Gomes, 32 anos, contou que grande parte da sua renda está comprometida com moradia, o que inviabilizaria a possibilidade de custear o curso superior.
“Eu nem me imaginava fazendo faculdade. Graças a Deus tive essa oportunidade e estou aqui. Vim de uma família humilde e hoje moro sozinha na cidade, não tem mais nenhum familiar aqui comigo. Pago R$ 700 de aluguel, praticamente metade da minha renda, e eu não teria condições de pagar mensalidade”, relatou.
Moradora de Jacaroá, Kaline Alexandre de Freitas tem 24 anos e pretende cursar Pedagogia. Sem o Passaporte Universitário, a jovem não teria condições de ingressar no Ensino Superior. “Sem o programa eu não estaria fazendo faculdade porque não tenho condições de pagar. Sempre tive o sonho de ter um diploma universitário. Quando vi que estava aprovada, chorei como criança”, contou.