A tecnologia assistiva tem ajudado a ampliar a autonomia, a aprendizagem e a inclusão de estudantes com deficiência visual na rede municipal de Nova Iguaçu. Um dos exemplos é o caso de Miguel Macieira, de 14 anos, que perdeu completamente a visão há menos de um ano e encontrou na Escola Municipal Professora Eliana de Souza Papaleo Moura, em Cabuçu, suporte especializado para continuar os estudos.
Após a perda da visão, cuja causa ainda é investigada, Miguel deixou a escola particular onde estudava e ingressou na rede municipal. Na nova unidade, passou a aprender Braille e a utilizar um computador adaptado com o sistema Dosvox, que permite o acesso a conteúdos digitais por meio de síntese de voz.
Miguel é um dos três estudantes da escola que receberam computadores equipados com a tecnologia, disponibilizados pela Secretaria Municipal de Educação (Semed). O equipamento também fica disponível na casa do estudante, permitindo que ele continue as atividades escolares e desenvolva novas habilidades fora do ambiente escolar.
“Eu estou aprendendo um monte de coisas, a usar o computador e outras habilidades que vou levar para a vida, como o Braille. Na minha escola anterior eu quase não fazia nada porque eles não sabiam como lidar comigo. Aqui as pessoas conversam comigo, me ajudam o tempo todo e me sinto feliz”, conta Miguel.
Na escola, o estudante recebe acompanhamento da professora Daiana Pavan, que também perdeu a visão durante a adolescência. Além das atividades em sala de aula, Miguel participa de exercícios com soroban, instrumento utilizado para cálculos por pessoas com deficiência visual, e recebe orientações de mobilidade para desenvolver maior independência nos deslocamentos.

Tecnologia que também chegou à rotina familiar
A mudança na rotina do adolescente foi percebida pela família desde as primeiras semanas. Segundo a mãe, Denise Ramos, Miguel passou a demonstrar mais segurança e disposição para frequentar a escola.
“Ele passou a ser mais comunicativo, fez amizades e demonstra alegria para ir à escola, algo que antes não acontecia. Ele era muito fechado”, relata.
O pai, Iran Ramos, destaca que o computador adaptado se tornou parte da rotina do filho.
“O Dosvox tem ajudado muito no aprendizado. Tudo o que ele faz é narrado pelo sistema, o que facilita o estudo. Hoje ele chega da escola e a primeira coisa que faz é ligar o computador. Além de aprender, ele se diverte. Para nossa família, isso representa esperança.”
Para a secretária municipal de Educação, Virgínia Rocha, a tecnologia representa uma ferramenta para garantir o acesso ao conhecimento e ampliar a participação dos estudantes.
“A inclusão é um processo e acontece quando oferecemos aos nossos estudantes as condições necessárias para aprender, participar e desenvolver todo o seu potencial. O computador adaptado representa muito mais do que um equipamento. É uma ferramenta de autonomia, acesso ao conhecimento e garantia de direitos”, afirma.
Educação inclusiva
A professora Daiana Pavan destaca que as ferramentas disponíveis atualmente contribuem para reduzir barreiras enfrentadas por estudantes com deficiência visual.
“No passado havia muito mais barreiras de acesso e capacitismo que dificultavam a permanência desses estudantes na escola. Hoje contamos com tecnologias assistivas, políticas públicas e estratégias pedagógicas que permitem ao aluno desenvolver seu potencial e participar do ambiente escolar de forma muito mais ativa”, ressalta.
Miguel também conta com o acompanhamento diário da Agente de Apoio à Inclusão Caroline Freitas, que participa das atividades e auxilia no desenvolvimento do estudante.
“Do mesmo modo que ele aprende comigo, eu aprendo com ele. Nosso objetivo é prepará-lo para a vida, fortalecendo sua autonomia, autoestima e desenvolvimento como estudante e como cidadão.”

A Escola Municipal Professora Eliana de Souza Papaleo Moura atende estudantes com deficiência visual e baixa visão desde 2023 e é uma das unidades da rede municipal de Nova Iguaçu voltadas à educação inclusiva e à acessibilidade.


















