Pesquisadores da UFF desenvolvem máscaras de proteção facial em impressoras 3D

Um grupo de professores da Escola de Engenharia da UFF está desenvolvendo máscaras de proteção de baixo custo do tipo ‘faceshield’ em impressoras 3D. O objetivo é que sejam distribuídas aos profissionais de saúde na linha de frente contra o COVID-19. O grupo está criando o protótipo na casa dos pesquisadores e estudando algumas adaptações para que seja possível desenvolvê-lo na Escola de Engenharia.

“Pegamos a proposta da máscara original e a aprimoramos. Em seguida, imprimimos em uma impressora 3D de um dos professores. Montamos a impressora no Hospital Universitário Antônio Pedro (HUAP) para testarmos a faceshield. Lá surgiram algumas sugestões que iremos incluir no projeto”, conta o professor Márcio Cataldi.

A ideia surgiu com base no projeto público da máscara, desenvolvido pelo fundador da empresa de impressoras 3D ‘PRUSA’.

“Joseph Prusa disponibilizou gratuitamente para download uma versão simplificada do faceshield em um site da companhia dele. Hoje todos os grupos que estão produzindo esse tipo de proteção facial utilizam o projeto como base. Partindo dessa proposta, a equipe de pesquisadores começou a trabalhar em cima de modificações sugeridas por médicos do mundo todo”, informa Lucas Getirana, mestrando do Programa de Engenharia e Biossistemas (PEGB-UFF).

O professor Marcio Cataldi enfatiza que o material utilizado para confecção das máscaras é de baixo custo, como acetato e silicone, além de possuir filamentos para impressora 3D.

“Quando entrarmos em modo de produção, iremos reunir várias impressoras 3D no hall da Escola de Engenharia da UFF para conseguirmos imprimir o maior número de máscaras possíveis”, explica.

A equipe já está recebendo pedidos dos mais diversos hospitais da região de Niterói e também do Brasil, a exemplo do Estado do Pará, e pretende começar sua distribuição ainda essa semana.

“Estamos esperando a resposta dos testes dos profissionais de saúde para iniciar a fabricação em massa. A prioridade será atender o HUAP e os hospitais mais próximos. Dependendo do número de impressoras, poderemos atender outras unidades hospitalares”, destaca o professor.

Respiradores – Futuramente os cientistas pretendem também desenvolver um respirador de baixo custo utilizando impressoras 3D.

“Vimos que na Itália, por exemplo, estão tendo muitos problemas pela falta de respiradores. Assim que passar esse momento de desenvolvimento da máscara, vamos começar a trabalhar no respirador. Hoje temos quatro motores, que é uma das peças mais caras do equipamento, e temos as impressoras para fazer as outras peças. Penso que vamos conseguir. Só precisamos adaptar os projetos à nossa realidade”, pontua Cataldi.

Nesse momento em que a colaboração coletiva pode ser decisiva para o controle da pandemia de coronavírus, os pesquisadores ressaltam que, acima de tudo, se sentem no dever de atender as demandas da sociedade.

“Como cientistas sempre tentamos trabalhar com projetos práticos e que possam salvar vidas e minimizar riscos sociais. Quando a situação do COVID-19 se agravou, o grupo refletiu sobre como a nossa expertise poderia ajudar. Me sinto cumprindo o meu dever como servidor público e como pesquisador ao mostrar à sociedade a importância da ciência, da criatividade e da resiliência num momento tão difícil para todos”, ressalta Cataldi.

O mestrando Lucas conclui ressaltando que o combate ao vírus expõe diretamente os profissionais da saúde, que estão frente a frente com esse mal. Diante desse cenário preocupante, ele acredita que a capacidade que os jovens como ele têm de encarar os problemas de forma inovadora e enérgica pode fazer a diferença no auxílio à área médica.

“Ao conversar com o professor Antônio Claudio, nosso reitor, sobre a possibilidade de desenvolver a máscara, ele nos apoiou e uniu este grupo multidisciplinar de pessoas gabaritadas, dando-nos como missão a execução dessa ideia concretamente”.

Participam do projeto, além do professor Márcio Cataldi e do mestrando Lucas Getirana, os professores da Escola de Engenharia da UFF – Daniel Henrique Nogueira Dias, Ivanovich Lache e Ricardo Carrano e o professor da Faculdade de Medicina Jano Alves de Souza.

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