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Quatro tremores são detectados a 75 km de Saquarema e não causam impactos

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A costa de Saquarema, na Região dos Lagos, registrou quatro tremores de terra de baixa magnitude na última sexta-feira (26). Os abalos sísmicos ocorreram em alto-mar, a aproximadamente 75 quilômetros do município, e não representaram qualquer risco à população. Os eventos foram detectados pelas estações da Rede Sismográfica Brasileira (RSBR) e analisados pelo Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP).

Segundo os registros, os tremores aconteceram ao longo do dia em sequência. O primeiro foi registrado às 12h15, com magnitude 2.1 na Escala Richter. Três minutos depois, às 12h18, ocorreu um novo abalo de magnitude 1.7. O terceiro sismo, também de magnitude 2.1, foi detectado às 13h. Já o último aconteceu às 21h23, atingindo magnitude 1.5.

De acordo com o sismólogo Gilberto Leite, do Observatório Nacional, esse tipo de atividade é considerado comum na margem sudeste do Brasil, região apontada como a principal zona sísmica em alto-mar (offshore) do país. A ocorrência desses pequenos abalos resulta da liberação natural de energia acumulada na crosta terrestre.

Reprodução

Tremores Costa de Maricá

Especialistas destacam que, apesar do monitoramento constante, ainda não é possível prever quando novos tremores ocorrerão ou qual será sua intensidade. No entanto, o histórico da região é marcado por eventos de baixa magnitude, geralmente imperceptíveis para a população. Entre os dias 21 e 22 de maio, por exemplo, a costa de Maricá registrou uma sequência semelhante, cujo maior abalo atingiu magnitude 3.3.

Brasil registra tremores, mas grandes terremotos são raros

Embora esteja localizado no interior da Placa Tectônica Sul-Americana, o Brasil também registra atividade sísmica. Os tremores são provocados principalmente pela reativação de falhas geológicas antigas devido às tensões geradas pelo afastamento entre as placas tectônicas que formam o Oceano Atlântico.

Na Região Norte, especialmente no Acre, os sismos têm outra origem. Eles estão relacionados aos movimentos da Placa de Nazca sob a Placa Sul-Americana, na região da Cordilheira dos Andes, e costumam ocorrer em grandes profundidades.

O maior terremoto oficialmente registrado no país aconteceu em 31 de janeiro de 1955, em Porto dos Gaúchos (MT), com magnitude 6.2. Como ocorreu em uma área pouco povoada, não houve registro de vítimas nem de grandes danos. No mesmo ano, outros dois sismos de magnitude 6.1 foram registrados em Vitória da Conquista (BA) e na costa do Espírito Santo.

Mais recentemente, em 2024, um terremoto de magnitude 6.0 foi registrado em Tarauacá (AC). Apesar da elevada magnitude, o abalo ocorreu a mais de 600 quilômetros de profundidade, fazendo com que a energia fosse dissipada antes de alcançar a superfície.

Os maiores impactos provocados por terremotos no Brasil ocorreram em eventos de menor magnitude, porém rasos. Em 1986, um tremor de magnitude 5.1 atingiu João Câmara (RN), danificando mais de 4 mil imóveis e deixando milhares de pessoas desalojadas. Já em 2007, um sismo de magnitude 4.9 em Itacarambi (MG) provocou o primeiro registro oficial de morte causada diretamente pelo desabamento de uma residência em decorrência de um terremoto no país.

Os quatro tremores registrados na costa de Saquarema, assim como a sequência observada recentemente em Maricá, estão dentro da faixa de baixa magnitude e são considerados fenômenos naturais que, em geral, não provocam danos nem são percebidos pela população.

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