Setor Naval perdeu 81% dos postos de trabalho desde 2014

Foto: Ipea/Divulgação

O setor naval do Brasil apresentou queda de 81,8%, desde 2014 em relação ai número de empregos, s informação foi fornecida pelo vice-presidente executivo do Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval), Sérgio Bacci, durante reunião remota da Comissão da Indústria Naval, de Offshore e de Petróleo e Gás, da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), realizada nesta segunda-feira (26). Segundo Bacci, o Governo precisa dar apoio à indústria naval por meio do encaminhamento de demandas aos estaleiros nacionais.

“Em 2014, a indústria naval brasileira chegou a ter aproximadamente 82 mil empregos diretos e 200 mil indiretos. Se considerarmos que cada família brasileira é composta por mais ou menos quatro pessoas, significa que a indústria naval atendia cerca de um milhão de cidadãos. De 2014 para cá, com a mudança de política na Petrobras, o número de empregos caiu, e hoje temos menos de 15 mil empregos nos estaleiros do país. A Petrobras sempre foi a maior indutora de demanda da indústria naval. O Governo precisa dar apoio a esse setor, pois não há estaleiro que sobreviva somente de reparos, os estaleiros precisam de construção”, explicou.

Participante da reunião, o secretário executivo do Sinaval, Sérgio Leal, também reforçou a importância dos estaleiros na geração de empregos. “A indústria brasileira tem muito a agregar em termos de conteúdo local e nacional, de materiais e equipamentos de alta qualidade, e muitos deles são incorporados a produtos estrangeiros, que são exportados pelas indústrias brasileiras. Essa indústria brasileira, subsidiária do setor naval, multiplica o número de empregos na construção naval. Cada local onde se constrói um estaleiro passa a ser um lugar de progresso, onde todo o comércio e todos os serviços se situam para fornecer para aquele núcleo industrial do estaleiro”, frisou.

Presidente da comissão, a deputada Célia Jordão (Patriota) destacou a importância dos trabalhos realizados pelo colegiado para reerguer o setor no estado do Rio, por meio de visitas a estaleiros e reuniões com autoridades da indústria naval. “A indústria marítima tem toda uma economia ao seu redor, e por isso essa comissão tem um importante papel de encontrar soluções para gerar demandas para o setor. Pretendemos realizar visitas técnicas aos estaleiros fluminenses e fazer uma reunião com o novo presidente da Petrobras e entender qual o procedimento e o foco da empresa, que é a principal indutora desse setor”, declarou a parlamentar.

De acordo com o deputado Felipe Peixoto (PSD), relator da comissão, é necessário trabalhar de forma mais assertiva na formação de profissionais da área, nos incentivos fiscais e no licenciamento: “Na área de formação, temos a Faetec, mas precisamos saber se os cursos ofertados e os equipamentos utilizados para aplicar o curso são suficientes. Outra questão é o incentivo fiscal, pois nós estamos em processo de recuperação fiscal no estado, mas o Rio precisa ser competitivo. Outra questão que influencia bastante é o licenciamento, pois o processo licitatório no Rio de Janeiro é muito burocrático, e precisa ser simplificado. A comissão está à disposição para ouvir sugestões de todas as autoridades que têm estado conosco”.

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