O debate sobre o fim da escala 6×1 ganhou novos desdobramentos no Congresso Nacional. Lideranças do PL e do União Brasil afirmaram que pretendem atuar para impedir o avanço da proposta de emenda à Constituição (PEC) que altera o modelo de jornada de trabalho.
Em evento com empresários em São Paulo, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, defenderam que a proposta não avance. Rueda afirmou que a medida teria impacto negativo na economia e indicou que o partido deve trabalhar para postergar a tramitação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Na terça-feira (24), a Câmara definiu o deputado Paulo Azi (União-BA) como relator da proposta na CCJ. A escolha teve aval do presidente da comissão, Leur Lomanto Júnior (União-BA), e do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB). Caberá ao relator apresentar parecer favorável ou contrário ao texto. Se aprovada na CCJ, a PEC seguirá para comissão especial antes de ir ao plenário.

Proposta tem autoria de Erika Hilton
A proposta que ganhou mais força é de autoria da deputada Erika Hilton (PSOL-SP). Ela defende o fim da obrigatoriedade da jornada 6×1 e propõe a redução da carga horária semanal, com possibilidade de adoção do modelo 4×3 (36 horas semanais) sem redução salarial.
Segundo a parlamentar, o atual formato é exaustivo e prejudica principalmente trabalhadores de baixa renda. A proposta foi apensada a outro texto sobre o mesmo tema e aguarda análise na CCJ.
Governo defende votação ainda este ano
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou que o governo considera a mudança uma prioridade e defende o fim da escala 6×1, com adoção do modelo 5×2 e jornada máxima de 40 horas semanais, sem corte de salário.
De acordo com Boulos, há resistência do setor empresarial, mas o Executivo pretende avançar com o debate ainda neste ano.
Mudança na escala busca equilibrar trabalho, saúde e crescimento da economia
Na avaliação dos defensores da proposta, o fim da escala 6×1 representa mais do que uma mudança na jornada de trabalho — é uma aposta na melhoria da qualidade de vida e na modernização das relações trabalhistas no país.
A redução da carga horária, com modelos como o 5×2 ou até o 4×3 (36 horas semanais), é apontada como caminho para garantir mais tempo de descanso, convívio familiar e cuidados com a saúde física e mental. A lógica é direta: trabalhadores menos exaustos tendem a apresentar mais motivação, maior concentração e melhor desempenho, o que pode refletir em aumento de produtividade e redução de afastamentos por doenças relacionadas ao estresse e ao burnout.
Outro ponto destacado é o impacto social. Com mais tempo livre, cresce a possibilidade de qualificação profissional, geração de renda complementar e fortalecimento da economia local, já que o trabalhador também passa a consumir mais cultura, lazer e serviços. Há ainda o argumento de que jornadas menores podem estimular a criação de novos postos de trabalho, especialmente em setores que exigem revezamento de equipes.
Para as mulheres, que muitas vezes acumulam trabalho formal e responsabilidades domésticas, a mudança é vista como um avanço importante na divisão do tempo e na busca por maior equilíbrio.
Os defensores afirmam que a medida pode gerar uma nova dinâmica econômica, baseada em mais sinergia entre produtividade, bem-estar e desenvolvimento. A aposta é que uma força de trabalho saudável e valorizada produza mais e melhor, fortalecendo empresas e impulsionando a economia no médio e longo prazo.

















