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Ultramaratonista cruza a Baía de Guanabara em 26 km e destaca avanços e desafios ambientais

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A ultramaratonista aquática Patrícia Farias protagonizou um feito inédito ao cruzar a Baía de Guanabara entre a Praia da Urca e a Ilha de Paquetá. Mais do que um desafio esportivo, a travessia de cerca de 26 quilômetros, realizada nesta terça-feira (31), marcou o encerramento do Mês da Água com um forte apelo à conscientização ambiental.

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A jornada começou ao amanhecer e foi concluída em 7 horas e 10 minutos. No percurso, a atleta enfrentou chuva, vento e correntezas, além da intensa movimentação de embarcações na baía. O trajeto passou por pontos icônicos da cidade, como o Pão de Açúcar, a Ponte Rio–Niterói e a Praia do Flamengo.

Durante toda a travessia, embarcações de apoio acompanharam a nadadora e recolheram resíduos como plásticos e isopor encontrados pelo caminho. A ação evidenciou o impacto do descarte irregular de lixo, que muitas vezes é levado pelas chuvas até rios e canais antes de chegar à baía.

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O percurso também simbolizou avanços na qualidade da água. Áreas antes consideradas impróprias para banho, como Urca, Flamengo, Glória e Paquetá, já apresentam melhora consistente, reflexo de intervenções no sistema de esgotamento sanitário realizadas pela Águas do Rio, concessionária do grupo Aegea. Atualmente, cerca de 130 milhões de litros de esgoto por dia deixaram de ser despejados no ecossistema.

Apesar dos avanços, a atleta reforça que a recuperação da baía depende também da participação da população:

“Costumo dizer que nado com um propósito, que é passar uma mensagem para que todos olhem com mais cuidado para a natureza e os nossos oceanos. Eles são vida e precisam de cuidado e carinho. As coisas estão melhorando na Baía de Guanabara e, se cada um fizer a sua parte, sem dúvida avançaremos ainda mais”, afirma.

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A chegada à Ilha de Paquetá foi marcada por emoção e sensação de dever cumprido. Ao lado do técnico Renato Ribeiro, idealizador do percurso e responsável pela equipe de natação em mar aberto Navegantes, a atleta celebrou o feito:

“Foi um baita desafio. Já próximo da Praia da Moreninha, a ondulação ficou constante, entrou vento e teve chuva, o que aumentou o grau de dificuldade. Conseguir foi espetacular”, conta.

Com reconhecimento nacional e internacional, Patrícia Farias soma agora a travessia Urca–Paquetá ao seu histórico de desafios em águas abertas, incluindo percursos no Brasil e no exterior.

Recuperação segue como desafio coletivo

A travessia reforça que a recuperação da Baía de Guanabara é um processo contínuo, que exige investimentos em infraestrutura e o engajamento da sociedade. A Águas do Rio prevê investir cerca de R$ 19 bilhões até 2033 para universalizar o esgotamento sanitário em sua área de atuação, com foco também no entorno da baía.

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Para o diretor institucional da concessionária, Sinval Andrade, a travessia simboliza mais do que um desafio esportivo:

“Nosso trabalho é uma jornada de fôlego, com vitórias a cada dia. Tem muito a ver com o desafio da Patrícia, porque é de longo prazo, se vence a cada braçada e encontra dificuldades que precisam do apoio da sociedade, como o despejo inadequado de lixo e óleo na baía. Estamos juntos nessa ação para fazer esse chamamento à população. Neste Mês da Água, reforçamos que proteger a baía e os oceanos é um trabalho de todos. Fizemos muito nesses quatro anos, mas ainda temos muito a fazer. Quando a sociedade vê os primeiros resultados surgindo, ela se engaja com muito mais facilidade”, afirma.

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