A prisão do argentino David Juan Manuel Corbalan, de 47 anos, acusado de aplicar um golpe de quase R$ 1 milhão contra uma aposentada de Minas Gerais, reacendeu o alerta para as chamadas fraudes emocionais. O suspeito foi preso na terça-feira (30), no bairro do Flamengo, na Zona Sul do Rio, por agentes da 12ª DP (Copacabana), em cumprimento a um mandado de prisão preventiva pelos crimes de estelionato e furto qualificado pelo abuso de confiança.
Segundo a Polícia Civil, o homem conheceu a vítima por um aplicativo de relacionamento, conquistou sua confiança e afirmou ser herdeiro de uma fortuna bloqueada no exterior. Com a falsa promessa de liberar os recursos, convenceu a aposentada a realizar diversas transferências bancárias, causando um prejuízo de quase R$ 1 milhão.

Para o advogado Ramon Camurugy, o chamado golpe do amor vai além de uma fraude financeira. “Os golpistas criam uma relação de confiança antes de pedir dinheiro. Em muitos casos, a vítima acredita estar ajudando alguém que ama. Quando descobre a fraude, além do prejuízo financeiro, enfrenta um profundo abalo emocional”, afirma.
Segundo o especialista, dependendo das circunstâncias, o investigado pode responder por outros crimes além do estelionato. “O estelionato costuma ser o principal enquadramento, mas podem existir outros delitos, como furto mediante abuso de confiança, falsidade ideológica, uso de documentos falsos e até lavagem de dinheiro”, explica. Camurugy também orienta que a vítima registre a ocorrência o quanto antes. “Quanto mais rápido a vítima procurar a polícia e reunir comprovantes, conversas e registros das transferências, maiores são as possibilidades de responsabilização criminal e de eventual recuperação patrimonial”, ressalta.

A psicóloga, pesquisadora e professora universitária Fátima Antunes explica que o sucesso desse tipo de golpe está na manipulação emocional. “Esses golpistas estudam cuidadosamente o comportamento da vítima. Eles oferecem atenção, acolhimento e disponibilidade emocional. Criam uma relação de confiança antes de iniciar qualquer pedido financeiro”, destaca.
Ela lembra que muitas vítimas deixam de denunciar por vergonha. “Elas costumam acreditar que serão julgadas pela família ou pelos amigos. Esse sentimento de culpa faz com que muitas sequer procurem a polícia. É importante compreender que essas pessoas foram manipuladas por criminosos especializados em explorar necessidades afetivas”, afirma.
Segundo Fátima, qualquer pessoa pode ser alvo da fraude. “Solidão, luto, separação ou momentos de vulnerabilidade emocional podem aumentar o risco, mas não existe um perfil único. Os criminosos são extremamente habilidosos em identificar fragilidades humanas”, alerta.
Especialistas recomendam desconfiar de relacionamentos virtuais que evoluem rapidamente para pedidos de dinheiro, investimentos ou empréstimos. Também orientam verificar a identidade da pessoa por chamadas de vídeo e encontros presenciais, além de desconfiar de histórias envolvendo heranças bloqueadas, emergências financeiras e pedidos urgentes de ajuda.
Matéria do Errejota do dia da prisão do golpista




















