Faleceu neste domingo (17), aos 93 anos, o sambista Noca da Portela, um dos maiores nomes da história da Portela e integrante da Velha Guarda Show da escola. A morte foi confirmada pela agremiação por meio de nota oficial divulgada nas redes sociais, causando forte comoção no universo do samba e do Carnaval carioca.
A repercussão da morte também chegou ao futebol. Torcedor declarado do Fluminense, Noca recebeu homenagem do clube, que lamentou a perda do artista e destacou sua ligação com as arquibancadas do Maracanã.
Em nota oficial, o Fluminense lembrou que Noca era “tricolor de corpo e alma, de coração” e ressaltou a força de “Gosto que me enrosco”, samba da Portela de 1995 que ultrapassou a Sapucaí e ganhou espaço nas arquibancadas do estádio, sendo adotado pela torcida do clube.
Noca da Portela deixa uma história escrita entre samba, Carnaval e paixão popular, tornando-se um dos nomes eternos da cultura carioca.

Noca da Portela
Cantor, compositor e instrumentista, Noca da Portela, nome artístico de Osvaldo Alves Pereira, construiu uma das trajetórias mais marcantes da história do samba carioca. Segundo registros do Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira, iniciou a carreira ainda na adolescência, aos 15 anos, compondo para a Escola de Samba Unidos do Catete, onde conquistou sua primeira nota máxima com o samba-enredo “O Grito do Ipiranga”.
Morador de São Cristóvão, participou da fundação da escola de samba Paraíso do Tuiuti e, nos anos seguintes, compôs diversos sambas-enredo vencedores. Em 1966, teve a carreira transformada ao ser levado por Paulinho da Viola para a Portela. A partir dali passou a ser conhecido nacionalmente como Noca da Portela.
Na escola de Madureira, integrou a Ala dos Compositores e formou o Trio ABC da Portela, ao lado de Picolino e Colombo. O grupo percorreu o país em apresentações e ajudou a consolidar sua projeção artística. Entre suas obras mais conhecidas estão “Portela Querida”, imortalizada por Elza Soares, “Recordar é viver”, “Gosto que me enrosco”, “Vendaval da Vida”, “Ilumina” e “Peregrino”.
Ao longo da carreira, teve músicas gravadas por grandes nomes da música brasileira como Beth Carvalho, Maria Bethânia, Paulinho da Viola, Martinho da Vila, Clara Nunes, Bezerra da Silva e Elza Soares.

Noca conquistou sete vitórias em disputas de samba-enredo na Portela e acumulou importantes reconhecimentos, entre eles três troféus Estandarte de Ouro. Também atuou como produtor musical, apresentador de rádio, defensor do samba de raiz e fundador da Casa de Noca, espaço voltado ao resgate cultural da música popular.
Além da música, teve atuação política e cultural, chegando a ocupar funções públicas ligadas à área da cultura. Em 2023, celebrou os 90 anos de idade em um show comemorativo no Rio de Janeiro, cercado por amigos, parceiros e artistas do samba.
Sua trajetória atravessou mais de sete décadas e ajudou a escrever capítulos importantes da história do Carnaval e da música popular brasileira.




















