Pandemia afetou 59% dos diabéticos no país

Um levantamento feito este ano pela International Diabetes Fedaration (IDF) identificou que 59,4% das pessoas com diabetes no Brasil apresentaram variação na glicemia no período da pandemia. Para a chefe do Serviço de Diabetes do Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia Luiz Capriglione (Iede), Rosane Kupfer, a mudança de hábitos para pior, com o consumo de comidas industrializadas, a falta de exercícios e a ingestão em excesso de carboidratos foram fatores que contribuíram para a elevação dos índices de glicemia no período de confinamento. Para incentivar a rotina alimentar correta e chamar a atenção da sociedade sobre a importância da prevenção, o Iede apoia o Dia Mundial do Diabetes, que é celebrado neste dia 14 de novembro.

Ainda conforme a pesquisa da IDF, realizada entre 22 de abril e 4 de maio, de âmbito nacional, foram coletados dados de 1.701 brasileiros. O estudo mostra como o diabetes se apresentou na pandemia de Covid-19, alterando as rotinas dos pacientes com aumento de 29,8% na ingestão de alimentos, redução de cerca de 60% da prática de atividades de físicas, entre outros temas.

De acordo com Kupfer, endocrinologista do Instituto Estadual de Diabetes, referência no atendimento à doença no Estado do Rio de Janeiro, a pandemia alterou os hábitos das pessoas, podendo ter provocado um certo relaxamento no controle da doença.

“O confinamento levou muitos pacientes ao sedentarismo. Por isso, a importância de se voltar a praticar atividades físicas para melhora da saúde, de uma forma geral, tomar medicação indicada por especialistas, consumir uma alimentação balanceada, além de se evitar aquelas ricas em açúcares. Em virtude disso, apoiamos o Dia Mundial do Diabetes, que evidencia uma data relevante no trabalho que realizamos no instituto ao longo de todo o ano em prol da população” ressalta Kupfer.

O guarda municipal Edmar Leopoldo Correa, de 55 anos, morador de Bangu, Zona Oeste, que há 25 faz acompanhamento médico no IEDE, admitiu que a pandemia atrapalhou seu tratamento.

“Foi um momento de muito estresse e de longo período de confinamento. A quarentena acabou facilitando para que as coisas saíssem do eixo, o que incluiu o consumo excessivo de comida ” reconheceu Edmar, que controla a doença com usos de insulina, remédio e um plano alimentar feito pelos nutricionistas do Iede.

Moradora de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, a aposentada Teresinha Salvino de Azevedo, de 84 anos, é tratada no Iede há quatro décadas.

“Sempre apresentei uma taxa de glicose elevada e há 40 anos cuido de minha saúde aqui. A cada três meses, venho na unidade para me consultar. No instituto recebo os cuidados de endocrinologista, cardiologista e nutricionista para o controle e tratamento do diabetes”, afirma.

A chefe do serviço de diabetes do Iede explica as taxas para se considerar uma pessoa pré ou diabética:

“Caso a taxa de glicose no sangue, em jejum, seja entre 100-125 mg/dl, o paciente é considerado pré-diabético. Valores de glicemia, em jejum, maiores ou a partir de 126 mg/dl, repetidos em uma nova amostra, confirmam o diagnóstico” diz.

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