Pesquisadores da UFF estudam impactos ambientais do Porto de Jaconé

Foto: Divulgação
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Os impactos que a iminente instalação do Terminal Ponta Negra (TPN) e a construção do Terminal Petroquímico (que já está sendo construído em Jaconé) estão sendo estudados por dois pesquisadores da Universidade Federal Fluminense (UFF). Os empreendimentos, na ótica dos autores da pesquisa, trazem preocupações a respeito de possíveis desastres ambientais à região de Maricá. O objeto final do trabalho tem como objetivo avaliar as consequências negativas da construção para o meio ambiente e para a população.

Os autores do material são o mestrando em Defesa e Segurança Civil da UFF, José Maria de Castro Júnior, e a doutoranda Marina Aires, do Programa de Pós-Graduação em Geografia da instituição. Eles são orientados pelo professor Jorge Luiz Fernandes de Oliveira. Através do uso da modelagem computacional, José utiliza o software Sistema Base de Hidrodinâmica Ambiental (SisBaHiA) para analisar dois cenários possíveis do comportamento da pluma de óleo no mar. Um deles seria com condições de tempo normais, já o outro apresentaria a região exposta a uma frente fria, onde os ventos vindos do sudoeste deslocariam o petróleo até a costa.

“O resultado dos cenários analisados indica que os ecossistemas presentes na região não resistiriam ao contato com o óleo, e sofreriam graves consequências com a chegada dos poluentes”, explica José Maria, que concluiu sua dissertação neste semestre. Além disso, é mostrado que os danos do petróleo se estenderiam também à economia local, visto que existem indústrias que se aproveitam dos recursos marinhos, em especial, a pesqueira. “O sistema usado na pesquisa simula as direções que estes gases poluentes do petróleo podem seguir e quais seriam as áreas populacionais atingidas”, completou o professor orientador.

Já a doutoranda Marina, cuja pesquisa ainda está em andamento, explica que seriam vários os impactos ambientais na região em caso de um vazamento. “As principais consequências estariam relacionadas ao desequilíbrio da fauna e flora, pois haveria a contaminação do mar e, consequentemente, mortandade de peixes, contaminação dos crustáceos e outras espécies e até a extinção de algumas delas. Os pescadores da Praia de Jaconé e adjacências também seriam afetados, pois perderiam sua principal fonte de renda. Além disso, o potencial turístico de Maricá poderia ser prejudicado e, consequentemente, a economia local também”, comentou.

“A poluição marinha afetaria a população local, podendo desencadear doenças respiratórias, irritação cutânea e caso a população consuma alimentos e/ou beba água contaminada, poderá desenvolver problemas digestivo”, alertou a doutoranda.

Vale lembrar que a licença prévia para a construção do porto foi concedida pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea), em 2015. A comissão do instituto aprovou a construção por unanimidade, o que deu permissão para a empresa DTA Engenharia dar prosseguimento ao projeto. 

 

 

 

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