Por uma Frente Ampla – artigo de Washington Quaquá

Arte O DIA

Arte O DIA

O ex-prefeito de Maricá e presidente regional do Partido dos Trabalhadores (PT), Washington Quaquá, divulgou artigo sobre o momento político do país no Jornal O Dia, em parceria com João Batista Lemos, presidente do PCdoB no Estado. Confira na íntegra:

 

“Lula está preso e a serpente está solta a chocar seus ovos contra a democracia e os direitos do povo duramente conquistados por nós e pelas gerações passadas. Não é hora de privilegiar divergências. É hora de ampliar aliados em torno do restabelecimento da democracia, da defesa dos direitos do povo e da soberania nacional.

Uma Frente democrática de largo e amplo espectro que lute pelo restabelecimento democrático que tem como pressuposto a liberdade e a revisão da condenação ilegal, injusta e sem provas de Lula. Não é através da tática da tartaruga, que na dificuldade se encolhe e se esconde no casco que vamos vencer esse período de adversidade para as forças populares, muito menos será através da química que mistura discurso radical com prática inorgânica que vamos ter potência para derrotar adversários poderosos. Essa tática nos leva à irrelevância e à desmoralização.

Precisamos fazer o dever de casa, que é organizar e educar politicamente o povo lá onde ele está, nas periferias, onde moram os trabalhadores e trabalhadoras, onde se sente na pele a diferença de vida de como era na época do Lula, com emprego, salário, oportunidades, educação, saúde, direitos civis e sociais… expresso na cidadania. Ao contrário de hoje, onde cada vez mais o desemprego, a insegurança, o aumento da população de rua, faz o povo ver a vida regredir e a ter a desesperança como companheira.

Por outro lado temos que ser amplos e dialogar com forças do Judiciário, da política, do aparelho de Estado (como militares, etc) e com a intelectualidade, para buscar, mesmo na adversidade, constituir um campo de defesa da democracia e do respeito à Constituição e aos direitos e garantias individuais.

E, obviamente, criar um comando unificado de todas as correntes nos movimentos populares e sindicais para lutar contra as regressões, na Previdência, na legislação trabalhista e nos direitos sociais da classe trabalhadora e barrar as privatizações dos setores estratégicos da economia nacional.

Lula Livre não pode ser uma bandeira a mobilizar iluminados e um punhado de militantes. Lula Livre, como preso político, precisa ser uma campanha popular a ser desenvolvida primeiro na classe trabalhadora das periferias, onde está o povo que viveu melhor nos tempos de Lula presidente. E isso precisa ser lembrado diariamente! Depois tem que ser ampla institucionalmente para atrair até uma direita democrática e liberal que respeite a Constituição brasileira. Vamos criar em cada bairro, comunidades e universidades os comitês do Lula Livre, articulados à luta pelos direitos do povo e pela democracia.

No Rio de Janeiro, o PT e o PCdoB trabalham juntos, desde 1989, em torno das conquistas do governo Lula e dos direitos do povo. Respeitamos as opções de alianças táticas um do outro e agimos como aliados, sem subordinação. Uma tática ampla para um momento adverso. E um retorno à militância real junto ao povo, como alertou Mano Brown, nos arcos da Lapa, é o que precisamos.

Vamos juntos buscar aliados em todas as forças democráticas para a defesa da democracia e pela liberdade de Lula. Vamos chamar os movimentos sociais e a militância popular de todas as tendências e correntes para voltar a priorizar a organização do povo nas comunidades, locais de trabalho, de estudo, nas igrejas e nas frentes culturais.

Nosso discurso só tem valor quando for lastreado na organização popular real. Vamos nos dedicar a isso! Ninguém larga a mão de ninguém!”

*Artigo publicado no jornal O Dia em 11/02/2019 – Por João Batista Lemos (PC do B-RJ) e Washington Quaquá (PT-RJ)

Notícias Relacionadas