Especial Dia da Mulher: motorista de coletivo fala de desafios no volante

Motorista Tatiana Pires

Quem é motorista sabe como é enfrentar um trânsito pesado todos os dias! Pois é, o desafio fica maior quando atrás de um volante está uma mulher. Além do estresse diário, elas precisam ultrapassar o preconceito, o machismo e em determinadas funções até mesmo o assédio.

O ErreJota Notícias, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher – 08 de março, bateu um papo com Tatiana Pires, 32 anos, motorista da Viação Nossa Senhora do Amparo há cinco anos, para falar um pouco de sua rotina diária. Confira aí:

ErreJota Notícias: Sabemos que você é motorista, mas esse era seu sonho?
Tatiana: Não! Eu queria ser Policial Militar, mas meu pai preocupado com minha segurança e por observar que muitas vezes os policiais acabavam sendo vitimados, me pediu para que eu mudasse de ideia.

ErreJota Notícias: Como surgiu essa paixão pelo volante?
Tatiana: Quando eu estudava, que vinha da escola, andava muito de ônibus. Sempre sentei próximo aos motoristas e observava muito a maneira que cada um conduzia, acredito que seja daí que passei a gostar de dirigir.

ErreJota Notícias: Quando começou a dirigir?
Tatiana: Assim que fiz 18 anos procurei uma autoescola e dei entrada na minha habilitação. Adoro dirigir!

ErreJota Notícias: E como foi a primeira vez ao volante, como motorista habilitada?
Tatiana: Então, eu não tinha carro. Sempre pedia aos amigos, quando íamos sair, para que me deixasse dirigir. Assim fui pegando experiência na direção.

ErreJota Notícias: Aquela observação da adolescência pode ter influenciado na escolha da profissão de motorista de ônibus?
Tatiana: Acredito que sim!

ErreJota Notícias: Como foi que chegou ao volante de um ônibus?
Tatiana: Sempre me contaram que para dirigir um ônibus precisava ter 23 anos. Assim que completei a idade comecei a enviar currículos para as empresas. Coloquei em um monte! Até que me chamaram para entrevista e teste. Comecei na manobra, mas queria ir mesmo para linha.

ErreJota Notícias: E como isso aconteceu?
Tatiana: Na empresa que eu estava, na manobra, havia um grupo que estava esperando ir para linha há nove meses, sabia que minha vez ia demorar. Decidi que após o horário de expediente iria procurar empresas que me oferecessem essa oportunidade e consegui.

ErreJota Notícias: E como foi o primeiro dia na linha?
Tatiana: Eu fiquei muito nervosa! Queria fazer tudo ao mesmo tempo. Mas, logo que completei a primeira viagem tudo voltou ao normal e fluiu.

ErreJota Notícias: E como veio parar na Viação Nossa Senhora do Amparo?
Tatiana: Soube que estavam contratando para dirigir o tarifa e como eu morava em Maricá, fiz contato com a empresa. Depois disso fiz um teste e aqui estou! Hoje sou motorista da Linha Itaipuaçu x Castelo.

ErreJota Notícias: Você ocupou um lugar considerado por muitos essencialmente masculino. Já sofreu preconceito ou assédio?
Tatiana: Sim, os dois! No caso do preconceito já escutei um homem falando para esposa que com mulher no volante não iria. Já o assédio, acredito que tenha sido mais pesado. Certa vez um passageiro me disse que eu dava tesão nele… Respondi no ato, nunca mais pegou meu carro! Já tive também passageiros que estenderam a mão para me cumprimentar e fizeram uma gracinha, esse demorou uma semana para retornar a viajar comigo, mas quando voltou ele disse: “tá sumida” e eu respondi: “Você que está, aliás, desde que me assediou fazendo gracinha na minha mão. Nunca mais eu o vi”.

ErreJota Notícias: Dentro do ônibus já presenciou alguma situação de assédio ou abuso com mulheres?
Tatiana: Sim! Certa vez um homem colocou seu órgão genital para fora. A passageira gritou e fomos parar na delegacia.

ErreJota Notícias: Sofreu algum tipo de violência, exemplo: assalto? Como foi sua reação?
Tatiana: Já tive meu ônibus assaltado. Foram dois bandidos, um ficou ao meu lado e o outro “limpou” os passageiros. Eu fiquei tão nervosa que comecei a rir!

ErreJota Notícias: Para finalizar, como é a Tatiana fora do volante?
Tatiana: Ah! Eu gosto de praticar esporte, gosto de correr, faço entre oito e quinze quilômetros. Faço Crossfit e tenho uma alimentação regrada. Na música gosto de Axé e Voz e Violão.

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