A Prefeitura de Niterói apresentou, nesta quinta-feira (07/05), na Sala Nelson Pereira dos Santos, no Reserva Cultural, o novo Plano Estratégico “Niterói Que Queremos 2025-2050” (NQQ 2050), documento que define as principais metas e projetos para o desenvolvimento econômico, social, urbano e ambiental da cidade pelos próximos 25 anos.
Construído com participação popular e contribuições de mais de 15 mil pessoas, o plano estabelece 36 projetos estruturantes e 30 metas prioritárias, organizados em sete grandes áreas de resultado. A proposta busca consolidar Niterói como uma cidade mais inovadora, inclusiva, sustentável e preparada para os desafios das próximas décadas.
O prefeito Rodrigo Neves destacou que o novo planejamento representa uma continuidade do modelo iniciado em 2013, reconhecido internacionalmente pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) como referência em gestão pública e planejamento urbano na América Latina.
Neves citou os investimentos previstos na área ambiental dentro do programa Pró-Sustentável 2, que contará com financiamento do BNDES e terá foco em sustentabilidade urbana e recuperação ambiental.
“Vamos trabalhar especialmente na região do Largo da Batalha e de Pendotiba com o conceito de florestas de bolso, trazendo áreas verdes para dentro da cidade e promovendo a renaturalização dos rios. Também teremos o Parque da Lagoa de Itaipu, que será um projeto muito bonito, seguindo o modelo do Parque Orla Piratininga”, afirmou o prefeito.

Segundo a Prefeitura, cerca de 90% das metas previstas no plano anterior, “Niterói Que Queremos 2013-2033”, já foram alcançadas. Entre as principais obras e projetos entregues nesse período estão a TransOceânica, o túnel Charitas-Cafubá, o Centro Integrado de Segurança Pública (Cisp) e o Parque Orla Piratininga Alfredo Sirkis.

Economia baseada em inovação e tecnologia
Um dos principais desafios apontados pelo novo plano é a transição econômica da cidade, reduzindo a dependência dos royalties do petróleo. Após dobrar o Produto Interno Bruto (PIB) nos últimos anos, Niterói pretende consolidar uma economia voltada para inovação, tecnologia e conhecimento.
Entre as estratégias previstas estão o fortalecimento do Distrito de Inovação da Cantareira, incentivos à economia digital, apoio a startups e expansão da economia do mar, setor ligado às atividades náuticas, pesca, serviços e tecnologia marítima.
Nesse eixo, também foi destacado o projeto do Terminal Pesqueiro do Barreto, que pretende fortalecer a cadeia produtiva da pesca com infraestrutura adequada para beneficiamento, armazenamento e comercialização do pescado.
Mobilidade, drenagem e revitalização urbana
Na área de infraestrutura e mobilidade, o plano prevê a implantação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) ligando o Barreto ao Centro, projeto já incluído no Novo PAC do Governo Federal.
Outro destaque é a Nova Alameda São Boaventura, que prevê requalificação urbana completa do corredor viário, com melhorias de drenagem, ciclovia, iluminação em LED, acessibilidade, paisagismo e segurança para pedestres, ciclistas e usuários do transporte público.
Entre os projetos considerados prioritários está ainda a macrodrenagem do Rio Icaraí, voltada para reduzir os impactos dos alagamentos na cidade. O projeto prevê implantação de novas galerias, sistema integrado de drenagem, reservatório subterrâneo de retenção e requalificação urbana da região.
O plano também prevê uma ampla revitalização do Centro de Niterói, com ações urbanísticas, habitacionais e econômicas para estimular a ocupação da região. A meta é fazer o Centro voltar a ter cerca de 40 mil moradores nas próximas décadas.

A Prefeitura também apresentou propostas para uma nova orla de Icaraí e intervenções em áreas estratégicas da cidade.
Meio ambiente e sustentabilidade
Na área ambiental, o NQQ 2050 inclui projetos ligados à recuperação ambiental, ampliação de áreas verdes e fortalecimento da resiliência urbana.
Entre os destaques estão o Parque da Lagoa de Itaipu, implantação de florestas-ilhas pela cidade e um hotel ecológico no Parque da Cidade.
Outro objetivo importante é universalizar a coleta e o tratamento de esgoto até 2028. Atualmente, a cobertura é de 95,5%, e a meta é atingir 100% da rede coletora e de tratamento.
Saúde, proteção animal e envelhecimento ativo
Na saúde, a Prefeitura prevê a implantação de SuperCentros de Saúde na Região Oceânica e na Zona Norte, ampliando o acesso a exames, imagens e consultas especializadas para usuários do SUS.
Também foi apresentado o projeto do Hospital Veterinário Municipal, que pretende ampliar o atendimento veterinário e ações de proteção animal, principalmente para famílias em situação de vulnerabilidade.
Outro programa de destaque é o Niterói 60+, voltado ao envelhecimento ativo da população. O projeto prevê criação de novos núcleos para idosos em diferentes regiões da cidade, com atividades físicas, culturais e educativas, além de uma rede integrada de cuidados e implantação de residências para idosos autônomos.

Educação, tecnologia e tempo integral
Na educação, o plano prevê ampliação da oferta de escolas em tempo integral e expansão das plataformas urbanas digitais.
Entre os projetos estruturantes, já em funcionamento, está o Centro de Formação e Gestão Escolar Darcy Ribeiro (inaugurado em dezembro de 2024), voltado à formação continuada dos profissionais da rede municipal e ao fortalecimento do letramento digital.
O espaço vai ampliar a demanda de cursos, oficinas, estúdios de podcast e videoaulas, além de clubes de inovação, linguagem e atividades maker para estudantes e educadores.
Desafio de um plano desta grandeza
A secretária de Planejamento, Orçamento e Modernização da Gestão, Elissa Rasma, destacou a importância do planejamento de longo prazo e da participação popular na construção do novo plano estratégico da cidade.
“Isso é para poucos: um planejamento de longo prazo numa cidade que implementa projetos, faz acontecer e se torna farol para o Brasil. O plano foi construído ouvindo a população e pensando no futuro das próximas gerações. Queremos uma cidade mais inteligente, sustentável, inclusiva e preparada para enfrentar os desafios climáticos e tecnológicos dos próximos anos”, afirmou.
O lançamento oficial do plano havia sido adiado na semana passada após o presidente da Federação das Associações de Moradores do Município de Niterói (Famnit), Manuel Amâncio, passar mal durante o primeiro evento. Segundo o prefeito, o líder comunitário esta se recuperando.


















